Acabaram as touradas em Albufeira

A cidade de Albufeira deixará de receber espetáculos tauromáquicos, um anseio da maioria da população e ativistas que durante anos lutaram pelo fim da tradição tauromáquica naquela cidade algarvia.

As touradas não têm nenhuma tradição no Algarve, mas a persistência do ex-matador de touros Fernando dos Santos, levou-o a construir nos anos 80 um complexo turístico, composto por 40 apartamentos, um pequeno centro comercial, com uma arena circular no interior.

Esta praça de touros passou a acolher espetáculos tauromáquicos destinados aos turistas, mas sem grande sucesso. Apesar de ser a praça de touros que realizava mais espetáculos tauromáquicos nos últimos anos (uma média de 20 por ano) era também a praça com a mais baixa taxa de publico a assistir, uma vez que as touradas não cativam os turistas que visitam o Algarve. Os espetáculos realizados em Albufeira eram protagonizados por artistas em início de carreira e com a utilização de novilhos e bezerros, sendo considerados de fraca qualidade pela crítica taurina. A fraca afluência de público à praça de Albufeira também está relacionada com a falta de apoio da autarquia local, que ao contrário do que acontece no Ribatejo, não comprava grande parte dos bilhetes para oferecer à população.

A decadência do espaço, a fraca afluência de turistas e a pandemia que assolou o mundo, levaram o proprietário a cancelar a temporada tauromáquica em 2020. Nesse mesmo ano, recebeu uma proposta para a compra do espaço, tendo vendido o complexo turístico à empresa “Corcova no Algarve – Investimentos Turísticos e Imobiliários, S.A.”.

em declarações à imprensa, o responsável pela empresa que passou a ser proprietária da praça de touros e complexo turístico, Jorge Duarte, referiu que “em termos de estrutura de touradas, terminou” confirmando que o novo projeto para aquele espaço não prevê a realização de espetáculos tauromáquicos.

A realização de touradas em Albufeira não respondia a nenhuma exigência do público nem dos turistas da região, mas apenas à paixão do ex-matador de touros e da sua família, pelo que é natural que a atividade tauromáquica não desperte qualquer interesse nos novos investidores.

A Plataforma Basta de Touradas realizou várias denuncias relacionadas com a realização de espetáculos tauromáquicos em Albufeira, tendo constatado que as inspeções realizadas aquele recinto de espetáculos detetaram várias anomalias que a Inspeção Geral das Atividades Culturais ignorou, não tendo sido rigorosa na aplicação da lei.

Além disso, nos últimos anos, os proprietários da praça de touros, realizavam no final dos espetáculos licenciados pela IGAC, uma espécie de “brincadeira” soltando uma vaca na arena para ser lidada pelos turistas. Esta ilegalidade deu origem a vários acidentes, tendo algumas pessoas sido assistidas no hospital. Apesar das constantes denuncias da Basta, a AC continuou a fechar os olhos a esta “brincadeira” que podia ter tido graves consequências.

O fim das touradas em Albufeira é um grande passo rumo à abolição desta tradição anacrónica no nosso país, uma vez que constitui o reflexo de uma sociedade que já não aceita a violência e a crueldade contra os animais como um divertimento.

A praça de touros de Albufeira tinha ainda a missão de formar novos artistas tauromáquicos, algo que agora começa a preocupar os agentes da festa brava, uma vez que para um artista conseguir a chamada “alternativa” tem que realizar vários espetáculos menores (bezerradas e novilhadas) que eram geralmente efetuadas neste recinto.

A plataforma Basta de Touradas congratula-se com mais este avanço civilizacional que se vem juntar a muitos outros ocorridos nos últimos anos. Aos poucos a atividade tauromáquica vai-se desmoronando e não tarda as touradas serão finalmente abolidas no nosso país, um desejo que remonta à Revolução Liberal quando as touradas foram associadas a um Portugal atrasado e absolutista.

Touradas são o único espetáculo público em que é permitida violência contra animais

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