Sangue e crueldade em Santarém no Dia de Portugal

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Touro entrou na arena com haste partida e a sangrar abundantemente.

Animal foi recolhido mas não foi assistido por nenhum veterinário.

Fiscalização deficiente continua a permitir inúmera violações do regulamento.

O dia 10 de junho, Dia de Portugal, foi celebrado com uma tourada em Santarém. Como habitualmente, a Câmara Municipal apoiou a realização desta corrida de touros com a compra de milhares de euros em bilhetes que foram oferecidos à população.

Além da tortura cruel de 6 touros, a corrida ficou marcada pela entrada na arena de um touro lesionado e desembolado, algo que é expressamente proibido pelo Regulamento do Espetáculo Tauromáquico (Decreto-Lei 89/2014 de 11 de junho).

O animal entrou na arena com uma das hastes partidas e a sangrar intensamente. Além disso, não trazia as “embolas”, a proteção de couro que é obrigatória nas touradas em Portugal, apesar de ser visível que os cornos do animal foram serrados para a colocação dessa proteção.

Segundo as crónicas desta corrida, o animal foi substituído por um touro de reserva que acabou por ser lidado por um dos cavaleiros.

Falta de fiscalização isenta e eficaz

No entanto, este episódio volta a colocar a nu a falta de fiscalização nas touradas e a presença de “corpo presente” do médico veterinário que apenas observa o que se passa na arena sem intervir na assistência aos animais e sem ser capaz de se certificar que os mesmos são tratados com o mínimo de dignidade antes de entrar na arena.

A legislação determina que a Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC) deve nomear 2 delegados técnicos tauromáquicos para cada tourada: 1 diretor de corrida e 1 médico veterinário a quem compete garantir o cumprimento da legislação. Estes delegados são aficionados e defensores das touradas, e muitos deles, familiares ou amigos próximos dos intervenientes, pelo que a sua isenção é bastante questionável.

Segundo o regulamento, compete ao médico veterinário (entre outras):

  • Proceder, na presença do diretor de corrida, à inspeção e aprovação das reses a lidar;
  • Verificar as condições de transporte, descarga e alojamento dos animais;
  • Entregar ao diretor de corrida o documento de registo das ocorrências verificadas;

Também o diretor de corrida tem responsabilidades nesta matéria, porque segundo o Regulamento, compete-lhe, entre outras coisas:

  • Verificar, na presença do médico veterinário, o trabalho de despontar das hastes e de embolação e o desempenho do pessoal do curro, certificando-se de que a saída das reses à arena está marcada pela ordem estabelecida no sorteio;
  • Ordenar a recolha da rês, sob parecer do médico veterinário, se aquela entrar na arena diminuída fisicamente, ou adquirir no decurso da lide qualquer condição física impeditiva, não havendo, neste último caso, lugar a substituição pela rês de reserva;

Neste sentido, importa esclarecer o que aconteceu a este animal, porque motivo entrou na arena naquelas condições e que tipo de assistência foi prestada, tendo em conta que o animal se encontrava a ferido e a sangrar quando entrou na arena.

A legislação determina ainda que o incumprimento das competências atribuídas aos delegados, implica a sua exclusão, algo que nunca aconteceu, apesar das constantes violações da legislação.

Não é a primeira vez que uma situação destas acontece numa praça de touros em Portugal. A Plataforma Basta de Touradas tem vindo a denunciar vários casos de violação do regulamento e de falta de fiscalização por parte dos delegados técnicos tauromáquicos nomeados e pagos pela IGAC, sem que esta entidade atue e garanta uma fiscalização séria e eficaz.

touro de lide lesionado em Santarém (Dia de Portugal)
Touro entrou na praça de Santarém com uma haste partida e a sangrar. (foto retirada de http://farpasblogue.blogspot.com)