Touro fugiu de praça de touros em Monte do Trigo (Portel)

No passado dia 1 de setembro um touro conseguiu fugir durante uma corrida de touros promovida numa praça de touros ambulante na localidade de Monte do Trigo, no concelho de Portel, circulando pelos terrenos em volta da praça de touros durante cerca de uma hora.

Esta situação causou pânico no público e na população local mas, felizmente, não causou vítimas nem danos materiais.

O animal conseguiu fugir no momento em que estava a ser descarregado do camião de transporte para a arena para ser lidado. Vários populares, forcados, elementos da GNR e um médico veterinário (com dardos tranquilizantes), perseguiram o animal que acabou por ser adormecido e carregado para o interior de uma carrinha ao fim de quase uma hora de pânico.

Num comunicado emitido pela empresa promotora da tourada, é reconhecido que o animal fugiu quando estava a ser descarregado do camião de transporte para a arena da praça de touros para ser lidado: “O terceiro toiro ao sair do camião para entrar em praça, saltou, caindo em cima da rampa e das grades que fazem proteção aos curros. Estas não aguentaram a força do animal e partiram, possibilitando a fuga do mesmo”, refere a empresa “António Pedro Sousa Vasco” no comunicado datado de 2/9/2023.

Ora, o alojamento dos touros nos camiões de transporte é uma das violações do Regulamento do Espetáculo Tauromáquico (RET) que tem vindo a ser denunciada desde 2016 por várias organizações, porque o regulamento refere que É expressamente proibida a permanência das reses nos veículos de transporte” (nº 2 do artigo 43º).

O mesmo RET obriga que, nas praças de touros ambulantes, os touros sejam alojados em curros com condições de segurança e de bem estar animal. A alínea k) do artigo 20º determina mesmo que a “ausência de curros” é uma das condições para o impedimento do espetáculo, ou seja, os delegados tauromáquicos presentes no local deviam ter impedido a realização daquela tourada.

A obrigação de alojar os animais em curros nas praças ambulantes foi aprovada em 2014 e entrou em vigor em 2016, depois de 2 anos concedidos aos empresários para se adaptar a esta realidade. Conforme sucedeu neste caso, os promotores não cumprem esta obrigação nas praças de touros ambulantes porque consideram que é mais prático manter os animais alojados no veículo de transporte, beneficiando da cumplicidade dos delegados técnicos tauromáquicos que ignoram esta determinação.

A ilegalidade cometida em Monte do Trigo comprometeu não só o bem estar dos animais, como a segurança do público presente e da população.

Segundo a legislação em vigor, o incumprimento desta norma de bem estar animal é motivo para a exclusão dos dois delegados técnicos tauromáquicos que foram nomeados pela Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC) para este espetáculo, por essa razão a plataforma Basta de Touradas enviou uma denuncia à IGAC, Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e ao Ministério da Cultura para obter mais esclarecimentos sobre as diligências efetuadas pelas entidades e punição dos responsáveis.

A mesma entidade promotora (António Vasco, Unipessoal Lda.) já tinha sido protagonista deste tipo de ilegalidade, no ano passado, em Loures. Na altura a IGAC informou a Basta de Touradas que o “recinto autorizado não oferecia as condições técnicas e de segurança desejáveis para um espetáculo desta natureza, inviabilizando assim a utilização dos curros ambulantes”. Apesar de reconhecer que o recinto não oferecia condições de segurança, a IGAC permitiu a realização do espetáculo com as bancadas cheias de público e os animais alojados no camião de transporte.

A plataforma Basta de Touradas não aceita que esta situação se continue a manter em Portugal, quando na vizinha Espanha são utilizados curros nas praças de touros ambulantes. Já passaram 9 anos desde que esta obrigação foi aprovada, pelo que os promotores já tiveram tempo suficiente para se adaptar e instalar curros devidamente equipados.

Praça de touros em Monte do Trigo (Portel)