Fracassou a ILP taurina em Espanha

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Os toureiros “El Juli” e Manzanares no Congresso espanhol depois de saber que a tauromaquia não podia ser declarada Bem de Interesse Cultural. Foto: Efe/Juan Jo Martin

Um fracasso, assim se pode definir o processo desencadeado em Espanha na tentativa de declarar a tauromaquia “Bem de Interesse Cultural”.

A “Federación de Entidades Taurinas de Cataluña” iniciou em Abril de 2012 um processo de recolha de assinaturas para uma Iniciativa Legislativa Popular (ILP), na tentativa de anular a proibição das touradas decretada na Região Autónoma da Catalunha e, ao mesmo tempo, ‘blindar’ as touradas em todo o país, impedindo que a abolição alastre a outras regiões.

Além disso, o processo incluía outro objetivo ambicioso que consistia no reconhecimento por parte da UNESCO da tauromaquia como Património Cultural e Imaterial da Humanidade.

 “A Catalunha terá que cumprir a Lei quando as touradas forem classificadas Bem de Interesse Cultural”

Juan Manuel Albendea
Deputado do PP em março de 2013 (Jornal ABC)

Nenhum destes objetivos foi alcançado pelos taurinos, mesmo com um cenário político altamente favorável, com o apoio incondicional da maioria PP.

A medida de recurso, aprovada no passado dia seis de Novembro pelo Senado espanhol, foi a declaração da tauromaquia como “Património Cultural”, estatuto que, na prática, mantém tudo na mesma. O lobby tauromáquico admite agora que, afinal, apenas o Tribunal Constitucional poderá anular a proibição Catalã.

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A abolição das touradas na Catalunha mereceu uma enorme cobertura mediática mundial

O único proveito que a indústria tauromáquica poderá retirar desta declaração, será o aumento do financiamento público das touradas em Espanha, uma vez que o “estatuto” agora aprovado deverá servir de justificação para a utilização de dinheiros públicos na promoção da tauromaquia.

Neste sentido, a resposta dos cidadãos espanhóis (país onde se multiplicam os cortes orçamentais) não tardou, estando já a decorrer uma ILP designada “Pan y Toros“, que será apresentada em 2014 para votação no Congresso dos Deputados e que representa a maioria que não se identifica com a tradição tauromáquica e que rejeita o seu financiamento com recurso aos fundos do erário público.

As touradas continuam a perder interesse junto da população espanhola. O declínio da atividade tauromáquica é evidente em Espanha com a redução do número de espetáculos realizados. Nos últimos cinco anos, as touradas sofreram uma queda de aproximadamente 40% no país vizinho.

Entretanto, avançam os processos abolicionistas em várias regiões autonómicas como é o caso da Galiza onde as touradas despertam o interesse de apenas 0,8% da população segundo o último levantamento dos Hábitos e Práticas Culturais elaborado pelo Ministério da Cultura.

 

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