Estatísticas das touradas em Portugal

O número de touradas realizadas em Portugal tem vindo a decrescer, tendo atingido em 2016 um valor histórico, abaixo dos 200 espetáculos tauromáquicos, algo de que não havia registo desde que começaram a ser publicadas estatísticas da atividade tauromáquica.

Em 2021 foi encerrada a praça de touros que mais espetáculos tauromáquicos recebia nos últimos anos: a praça de touros de Albufeira, um espaço privado que foi vendido pelo proprietário, um ex-matador de touros.

O encerramento da praça de touros de Albufeira traduz-se num decréscimo de cerca de 11,4% dos espetáculos tauromáquicos realizados e demonstra que esta atividade atravessa uma crise profunda.

Nesta página apresentamos os dados estatísticos oficiais relacionados com as touradas em Portugal.

Touradas realizadas em Portugal (1998-2020)

O gráfico [1] mostra as touradas licenciadas pela Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC) desde o ano de 1998.

O decréscimo de touradas realizadas em 2020 está relacionado com as restrições impostas pelas medidas de combate à pandemia de COVID-19, no entanto, é evidente o decréscimo de quase de 50% das touradas realizadas entre 2009 e 2019.

O declínio verificado até 2006 esteve relacionado com o encerramento da praça de touros do Campo Pequeno, encerrada para obras e reaberta nesse ano.

É evidente uma queda acentuada das touradas realizadas em Portugal a partir de 2009.

[1] Touradas realizadas em Portugal (Fonte: IGAC)

Touradas realizadas em Lisboa (2006-2020)

[2] Touradas realizadas no Campo Pequeno em Lisboa (fonte: IGAC)

No caso de Lisboa, a praça de touros do Campo Pequeno tem vindo a perder um número significativo de público que se tem traduzido numa redução do número de espetáculos tauromáquicos realizados. O gráfico seguinte mostra o número de touradas realizadas no Campo Pequeno, desde o ano de 2006 (dados da IGAC) altura em que o recinto foi reaberto ao público depois de remodelado e coberto.

Um momento marcante neste caso, foi o processo de insolvência da empresa que geria o Campo Pequeno, e que era responsável pela organização dos espetáculos tauromáquicos realizados em Lisboa: A Sociedade de Renovação Urbana do Campo Pequeno (SRUCP).

Em 2019 a Casa Pia (proprietária do imóvel) entregou a gestão do Campo Pequeno para as mãos do empresário Álvaro Covões, através da empresa “Plateia Colossal” que decidiu manter a atividade tauromáquica, concedendo 7 datas à empresa tauromáquica “Ovação e Palmas” para realizar touradas.

Um dado importante, é o facto da Casa Pia ter anulado a obrigação dos concessionários realizarem cerca de 21 touradas por ano no Campo Pequeno, uma imposição que decorria dos contratos celebrados no século passado e na sequência do processo com a Câmara Municipal de Lisboa para a cedência do terreno para a construção do recinto.

Em 2019, o Presidente da Câmara de Lisboa, declarou publicamente que “a Casa Pia de Lisboa tem a mais ampla liberdade na decisão quanto à atividade a realizar no recinto em causa e quanto aos termos e condições do contrato estabelecido com a Sociedade de Reabilitação Urbana do Campo Pequeno, ou outros que entenda vir a celebrar, sendo certo que a realização de espetáculos tauromáquicos nunca será para o município de Lisboa condição de manutenção da concessão“. Isto significa que a Casa Pia é livre de decidir se quer que se realizem touradas no Campo Pequeno, ou não.

No entanto, a atividade tauromáquica manteve-se, apesar do decréscimo significativo de touradas realizadas desde 2018.

Público nas touradas (2011-2020)

O número de pessoas que assistem a touradas tem vindo a diminuir bastante nos últimos anos, de acordo com os dados oficiais. Ao contrário do que é frequentemente referido, as touradas são dos espetáculos públicos com menos público em Portugal. Nos últimos 10 anos, as touradas perderam 20.126 espectadores, tendo vindo a perder público desde 2010.

Os dados referentes ao público que assiste a touradas é apurado pela IGAC, no entanto, esses dados não são credíveis porque não se baseiam na bilhética. Em 2009, por exemplo, os dados divulgados pela IGAC eram 60% superiores ao número real de pessoas que assistiram a touradas.

Este fenómeno resulta do facto da IGAC não contabilizar o número de bilhetes em cada espetáculo tauromáquico, mas sim, realizar estimativas com base em observações do Diretor de Corrida nomeado para cada espetáculo.

Através da observação das pessoas nas bancadas o Diretor de Corrida determina um número aproximado de espectadores. É incompreensível que a IGAC continue a usar este método arcaico, ao contrário do Instituto Nacional de Estatística (INE) que apura o número de espectadores em espetáculos culturais através do número de bilhetes.

Em 2010, o INE deixou de contabilizar os dados referentes à tauromaquia, mas comparando os valores apurados pelo INE até esse ano, verificamos que os dados da IGAC são bastante inflacionados, chegando a ser três vezes superiores ao valor real de pessoas que assistiram a touradas.

Em 2018 o INE voltou a contabilizar os dados referentes à tauromaquia, e cruzando esses dados com as estimativas da IGAC, verificamos uma diferença bastante grande. As estimativas da IGAC inflacionam bastante o número real de pessoas que assistem a touradas.

No que diz respeito a 2019, o INE contabilizou 283.592 pessoas nas bancadas das praças de touros, mas a IGAC refere no seu relatório que as touradas tiveram quase 400.000 espectadores, o que é falso.

Tipo de Espetáculo Espectadores
Música 8 978 562
Teatro 2 189 770
Mista/Variedades 1 562 220
Multidisciplinares 1 270 186
Outras modalidades 1 489 161
Dança 533 322
Folclore 419 237
Circo 288 712
Touradas 283 592
Recitais de Coros 130 948
[3] Estatísticas da Cultura 2019 – Instituto Nacional de Estatística.

As estatísticas da Cultura de 2019 indicam que as touradas tiveram menos público que os espetáculos de circo, sendo claramente um dos espetáculos ao vivo com menos público em Portugal. Apenas os “Recitais de Coros” têm menos público que as touradas.

Os espetáculos de Dança, Folclore, Teatro Música e outros, atraem muito mais público do que as touradas, dados que contrariam as mentiras propagadas pelos defensores da tauromaquia.

Público das touradas é bastante inferior ao que é divulgado pela IGAC

[4] Público que assistiu a touradas em 2019 (comparação entre INE e IGAC)

O gráfico seguinte mostra a diferença entre os números apurados pelo INE (283.592 espectadores) e as estimativas divulgadas pela IGAC no mesmo ano (383.938 espectadores).

Percebe-se que os Diretores de Corrida da IGAC acrescentaram cerca de 100.346 espectadores às touradas em 2019, falseando desta forma o número real de pessoas que assistem a estes espetáculos e a verdadeira dimensão do interesse dos portugueses por este tipo de espetáculo.

Comparando os dados referentes aos últimos anos (entre 2010 e 2018 o INE não publicou dados sobre tauromaquia) percebe-se como a IGAC amplia o número de espectadores das touradas, chegando a acrescentar mais de 60% de público aos espetáculos tauromáquicos. A Plataforma Basta de Touradas já questionou a IGAC sobre esta fraude, e continua a exigir que sejam atualizados os dados sobre o público nas touradas. Os dados da IGAC são falsos e transmitem uma ideia errada sobre a real dimensão do público que assiste a espetáculos tauromáquicos.

Público nas touradas – comparação entre os dados do INE e as estimativas da IGAC:

AnoINE (espectadores)IGAC (espectadores) Diferença / %
2019283.592383.938+  100.346 / (+26,1%)
2018291.904379.000+ 87.096 / (+22,9%)
(não existem dados do INE)  
2010311.900681.140+ 369.240 / (+54,2%)
2009263.466663.033+ 399.567 / (+60,2%)
2008297.821698.142+ 400.321 / (+57,3%)
[5]

Fontes:

INE – Público nas touradas 2019

Estatísticas da Cultura 2019 – INE

IGAC – Relatório da atividade tauromáquica 2019

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