Como é uma tourada em Portugal?

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A plataforma Basta apresenta em 10 passos em que consiste uma “tourada à portuguesa”.

As touradas em Portugal são diferentes. A lide é feita, maioritariamente “a cavalo”, os touros são embolados (cornos cortados e protegidos por embolas) e não morrem na arena. Estas particularidades da chamada “tourada à portuguesa” estão relacionadas com a forte contestação de que foram alvo estes divertimentos ao longo dos últimos anos. Para minimizar a brutalidade das touradas e as imagens de extrema violência que proporcionavam, proibiu-se a morte dos touros na arena, passando a ser mortos após o espectáculo nos matadouros, longe dos olhares do público. Os cornos foram embolados para evitar o esventrar dos cavalos e possibilitar a pega (forma encontrada para finalizar a lide com o domínio do animal, substituindo a morte do touro). Introduziram-se os “ferros compridos” para substituir a vara dos “picadores” no início da lide.

Muitas pessoas consideram que a “tourada à portuguesa” não é tão cruel como as touradas realizadas em Espanha e noutros países da América Latina. Isso não é verdade.

Do ponto de vista do sofrimento animal, as “touradas à portuguesa” são bastante mais cruéis do que as outras, porque sujeitam os touros a um sofrimento agoniante após a lide, como se demonstra nesta explicação. Além disso, temos os cavalos, muitas vezes esquecidos, e que são forçados a enfrentar um animal num cenário hostil que lhes provoca muito medo e ansiedade, como se vê facilmente na expressão destes animais. Sujeitos às investidas dos touros, os cavalos ainda sofrem com os golpes das “esporas” dos cavaleiros, e em alguns casos, com a utilização de instrumentos bárbaros (como as serretas) que lhes provocam lesões graves. Todos os anos ocorrem acidentes com morte súbita de cavalos durante as touradas “à portuguesa” ou no decorrer dos treinos, resultado de um esforço extremo a que são sujeitos estes animais.

A plataforma Basta explica em 10 passos e de forma resumida todo o ritual cruel da lide numa “tourada à portugesa”:

1.

Os touros vivem em manada, apresentando-se bastante dóceis no campo. Estes animais tornam-se agressivos quando isolados da manada pelo que a ‘apartação’ se torna um processo bastante stressante para os animais. O transporte é efectuado em camiões divididos em vários compartimentos fechados e é um dos momentos de maior stress para os animais.


2.

À chegada à praça de touros os touros são descarregados do camião para os curros da praça.A maioria das praças de touros fixas não possui curros devidamente equipados que garantam a salvaguarda do bem estar dos animais. No caso das praças de touros desmontáveis, permanecem nos compartimentos do camião junto à praça de touros.


3.

Na zona dos curros, os animais são imobilizados para que se proceda ao corte das pontas dos cornos (embolação) para colocação da proteção em couro chamada “embola”. Este processo tem por objetivo proteger os cavalos e forcados das investidas do animal. Por vezes o corte dos cornos provoca sangramento no animal e é um processo que altera as noções de distância do touro. No caso das praças portáteis a embolação é feita no interior do camião.


4.

Ao contrário dos touros, o Regulamento do Espectáculo Tauromáquico não se refere às condições de alojamento dos cavalos. Estes permanecem no exterior da praça, junto aos veículos de transporte.


5.

A lide começa com a colocação dos ferros compridos. Como a utilização de “picadores” é proibida em Portugal, existem os ferros compridos para provocar maiores lesões no animal quando entra na praça. São ferros maiores que provocam lesões mais profundas, fundamentais para a posterior realização da lide e principalmente da “pega” (as lesões obrigam o animal a baixar a cabeça).


6.

Seguem-se os ferros curtos, em forma de arpão, não existindo nenhum limite para a colocação destes ferros. Os ferros de palmo são mais pequenos em termos de comprimento (o arpão é igual).


7.

Após a colocação dos primeiros ferros (compridos) o cavaleiro dá ordens ao bandarilheiros para dar uns passes no touro com o capote. Isto tem por objectivo cansar mais o animal (que não está habituado a este desgaste físico) e a aumentar o grau de lesão dos ferros: ao forçar o animal a rodar a cabeça (como se vê na imagem) os ferros já cravados vão rasgando ainda mais os tecidos do animal, aumentando o grau de lesão dos ferimentos.

8.

A “pega” só pode ser realizada no final da lide, quando o animal já está bastante desgastado fisicamente e com lesões muito profundas que lhe dificultam levantar a cabeça. Sem estas lesões era humanamente impossível a realização da “pega”.


9.

As bandarilhas são retiradas imediatamente após a lide do animal, sem qualquer assistência veterinária. O processo é feito pelo “embolador” que tem que recorrer a uma navalha para cortar a carne do animal e retirar os as lâminas cravadas.


10.

Feridos, com lesões profundas, os animais são ilegalmente transportados para o matadouro. Não existem salas de abate em nenhuma praça de touros pelo que os animais são transportados e aguardam a abertura do matadouro para o abate. Alguns morrem durante a viagem.


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