A Monumental do México passou a ser um recinto para grandes concertos e atrai mais de 600 mil espectadores
Durante cerca de 80 anos a Monumental do México foi uma praça de touros, sendo considerada a maior arena do mundo, com capacidade para 42 mil espectadores sentado.
Em 2025, o Congresso da Cidade do México aprovou legislação que proíbe espetáculos que incluam violência contra animais, nomeadamente touradas em que touros são feridos ou mortos. Na prática, as touradas podem realizar-se desde que os animais não sejam feridos ou mortos.
A 5 de fevereiro de 2025 realizou-se a última corrida de touros na Monumental, marcada pela despedida do matador Enrique Ponce. Desde então, o local não acolheu mais espetáculos tauromáquicos porque a nova legislação só permite o uso do capote dos toureiros.
Perante estas regras, os proprietários da Monumental abdicaram de realizar touradas e apostaram em grandes espetáculos musicais. Esta decisão levou a um aumento do número de espectadores. Em 2025 mais de 600 mil pessoas assistiram a concertos naquele recinto.
“Vimos o potencial para realizar eventos massivos e trabalhamos para torná-lo viável, é assim que este projeto tem avançado“, disse Mario Zulaica, o diretor da praça “La México”, ao Billboard Español.
Entre os grandes concertos anunciado para 2026 constam nomes como Ye (antes conhecido como Kanye West), Carlos Rivera, Banda MS e Christian Nodal, Los Ángeles Azules e Edén Muñoz.
Apesar de tudo, a pressão do lobby tauromáquico é bastante intensa no México, e por ocasião do 80º aniversário da praça de touros, a 6 de fevereiro deste ano, a empresa gestora da praça emitiu um comunicado onde “reafirma a sua vocação taurina” e o seu compromisso de “permanecer de pé para que as corridas de touros possam voltar a celebrar-se na cidade do México”.
Apesar desta resistência, trata-se de um grande exemplo de reconversão de um recinto usado para espetáculos sangrentos e cruéis para os animais, num espaço cultural saudável e atraente.
Outros estados mexicanos têm vindo a restringir o proibir a realização de touradas, evocando políticas de bem estar animal.
No final de janeiro de 2026, um juiz federal ratificou a suspensão provisória da corrida de touros programada para a praça de touros de Juriquilla, no Estado de Querétaro situado na região centro-norte do México. O tribunal deu cumprimento à providência cautelar interposta pela associação animalista Animal Heroes para impedir a realização deste evento.


Nobre, consciente e urgente iniciativa – ainda que tardia.
Há um dado fundamental que convém destacar, que opera diretamente na neutralização sensorial da percepção do horror das touradas: a estimulação contraditória.
Cuida-se de um expediente de subversão psíquica, na medida em que os estímulos negativos recebidos pelo espectador a partir dos atos realizados na arena (brutalidade, sanguinolência e os grunhidos de dor lancinante emitidos pelo animal vitimado) são acompanhados por estímulos excitantes (música, ritual, aplauso e estética). Vejamos:
1) as fanfarras executam, predominantemente, estrutura musical de marcha (compasso binário), com ritmo marcado e caráter cerimonial;
2) a paleta cromática de todo o evento é necessariamente aberta (o jogo de luzes; os figurinos predominando em tons de rosa, lilás, dourado, branco etc);
3) e a própria indumentária dos toureiros é bastante delicada, evocando até alguma feminilidade: calça apertada nos glúteos, meias claras cobrindo as canelas, muitos bordados e lantejoulas.
Esses elementos cumprem, juntos, um objetivo específico de agir sobre a estrutura sensorial dos espectadores, insinuando estímulos alegres, polidos, suaves e elegantes para rivalizar diretamente com a morbidez sangrenta que sucede diante de seus olhos. Esses elementos audiovisuais compõem um discurso. Tal é o mecanismo psicológico que associa a aniquilação de uma criatura, inocente e tão admirável, a uma cena de emoção festiva e estética, deprimindo a resposta neurofisiológica natural de repulsa àquele acontecimento.
A repulsa ao horror é um fato natural nos espíritos sadios. Ela desencadeia um processamento emocional no cérebro, ligado sobretudo à empatia e à percepção de dor, seguido da ativação fisiológica real de regiões variadas do corpo (batimento cardíaco, contração muscular, sensação no estômago). Mas tudo isto pode ser neutralizado por meio de uma composição cênica capaz de persuadir o centro humano de reflexos cognoscíveis de que se trata de um acontecimento lúdico. Essa operação psicológica – no sentido denotativo da expressão – conta com expedientes acústicos e estéticos. E é precisamente aquela que se executa durante os pródigos eventos de touradas – à maneira de um analgésico mental, induzindo a descarga neuroquímica de substâncias que excitam o indivíduo, obliterando, assim, qualquer outra possível reação espontânea. Em última análise, essa manipulação do “páthos” (como chamavam os gregos) vai muito além da mera camuflagem ou maquiagem da realidade dolorosa que ocorre nas arenas. Gradualmente, o que ela realiza é a dessensibilização das massas de espectadores para o horrendo, o mal e o absurdo.
E, sem ela, não seria possível realizar o evento.
Uma tourada jamais teria sucesso caso fosse realizada debaixo de uma trilha sonora fúnebre ou melancólica, condizente com os elementos da cena que ela promove: mendacidade e covardia, sofrimento e perversão. Aqui entra o glamour, fabricado na ambiência que envolve a barbárie.
A estimulação contraditória, portanto, é o principal artifício por detrás do argumento (meramente retórico) de que, em alguma perspectiva, a matança dolorosa poderia ser aceita como “manifestação cultural”. Durante a II Guerra, as equipes de gestão dos campos de concentração alemães empregaram essa mesma técnica. Pequenos concertos musicais eram organizados, obrigando-se os próprios prisioneiros que eram músicos a providenciar trilhas sonoras festivas enquanto seus companheiros eram castigados e até eliminados. O intuito era suprimir dos capturados a capacidade de juízo, necessária a qualquer cogitação de resistência.
Assim, resta que o argumento da tourada como “cultura” simplesmente não existe sem esse aparato simbólico que acabamos de descrever. Também desaparece a pompa e a pose da bravura. Afinal: como é evidente, os toureiros não encarnam de maneira natural o arquétipo do herói – daquele que, dotado de força e coragem, combate por um propósito maior empenhando todas as suas valências com o sacrifício de si mesmo. Toureiros não são viris nem corpulentos; nem combatem com propósito a não ser fama e dinheiro – auferir lisonja e recompensa pecuniária. (Aliás, toureiros sequer combatem, pois aquilo não é um combate autêntico; lutadores sabem do que estou falando). Tampouco são corajosos, na medida em que a toda a sua performance encerra a exibição de ousadia perante um perigo causado por eles próprios. (Aristóteles nos fornece essa formidável distinção em “Ética a Nicômaco”). Uma vez que não há virtude na tourada, então é preciso fingir. Daí a teatralidade do evento.
Se a abolição desse circo do Inferno ainda encontra, hoje, atritos políticos e lobby econômico, talvez uma abordagem mais eficaz esteja, antes, em retirar-lhe os seus ornamentos de subversão. Arrancar a parafernália simbólica com que a escuridão se veste para agir entre nós.
Olá!
Grata pela tua iniciativa!
Abomino touradas e qualquer tipo de violência a animais, sendo que, as touradas, são mesmo horríveis de se ver e sentir.
Não sei como pode, o actual governo, compactuar com a ideia de trazer isto, outra vez, a discussão!
Gostaria, apenas, de lembrar, que já temos prisão efectiva para quem maltratar animais.
Lembro-me de celebrar a primeira prisão efectiva de, 1 ano, em Portugal, de um homem que maltratava o seu cão.
Foi antes da Covid.
Creio que se poderá acrescentar isto, ao teu manifesto.
De qualquer modo, já fiz queixa à provedoria da RTP, onde mencionei este facto, que está na Lei, penas efectivas a quem maltratar animais… Nem que vá para Tribunal Europeu!…
Era miúda, criança, e lembro-me de virar a cara e, ou, mudar logo de canal, num tempo em que só existiam 2 canais, a RTP1 e a RTP2.
Nunca gostei, sempre detestei aquilo, acho horrível. Não compreendo e não aceito que voltem a passar aquilo, outra vez, num canal que é público, de todos, para todos, pago por todos!
NÃO ÀS TOURADAS NEM À TORTURA DE ANIMAIS!
TOURADAS, NA TELEVISÃO, NUNCA MAIS!
E SE AS HOUVER , QUE SEJAM DENUNCIADAS E OS INDIVÍDUOS PRESOS E SE LEVAREM CRIANÇAS, QUE APANHEM PENAS POR NEGLIGÊNCIA, POR OBRIGAR CRIANÇAS A VER HORRORES!…
TEMOS CONTEÚDOS PARA TODAS AS FAIXAS ETÁRIAS POR ALGUM MOTIVO, NÃO É POR ACASO!…
AS CRIANÇAS, JAMAIS, DEVERIAM SER EXPOSTAS A TAMANHA CRUELDADE!
Uma coisa é matar, para comer, para alimentar a família, e com dignidade e respeito pela vida e pelo sofrimento dos bichinhos, outra coisa é matar, torturar, por diversão, com crueldade, não respeitando a vida dos seres, que sofrem e sentem!
Isto é um absurdo!
Com tanta coisa bonita, muito mais divertida e saudável, para fazer nesta vida que Deus nos deu, sem causar dor e sofrimento, porquê, escolher isto como entretenimento “cultural”?
O que é que isto acrescenta ao meu desenvolvimento e aprendizagem cultural?
Como magoar um touro de várias formas, até que ele tombe, ou morra?
É, assim, que desenvolvo a minha capacidade criativa, ou que me divirto, ou me cultivo?
Emocionalmente, que partes do cérebro estarei a activar?
Não serão as mesmas que activo quando faço uma escultura, ou uma cerâmica, ou assisto a um concerto de música ou uma peça de teatro, ou danço, com certeza.
A mim, e a milhares de pessoas, no mundo inteiro, não dá prazer, algum, assistir à tortura de animais!
Jamais isso poderá ser chamado de “cultura”.
Jamais será entretenimento para Deus-Pai fazer sofrer animais para prazer de alguns seres desviantes.
Estou mesmo indignada por voltarem a trazer isto de volta!
Parece que voltaram à Idade das Trevas, à Idade Medieval, onde se faziam as maiores atrocidades com uma macabra desumanidade.
Viveram-se tempos de grande medo e terror, sobretudo por quem tinha dinheiro e poder, como a igreja, por exemplo, na época da Inquisição.
Não há como normalizar o macabro, aos olhos de Deus.
Por muito mal que haja no mundo, quem está pelo Bem Maior, do lado certo da História, não pode compactuar com qualquer acto vil, cruel, com qualquer ser vivo!
Respeito e dignidade para todos os seres, mesmo que não concordem, ou não consigam, ainda, compreender, talvez, um dia, possam compreender que não se tratam, assim, animais, nem nenhum ser vivo.
Não podemos deixar passar isto.
Encontrem formas sãs de passar o tempo, de se divertirem. Ou vão plantar árvores, ou ajudar a malta que ficou sem tecto, sem nada, depois das tempestades, que bem carenciados estão, de ajuda, de força e de mão-de-obra especializada.
Querem investir?
Invistam em Portugal.
Invistam nos portugueses.
Invistam em formas saudáveis de passar o tempo, de entretenimento, verdadeiramente, culturais, que sejam saudáveis para as nossas crianças, que deixe as pessoas felizes.
Distingam-se pela positiva, pelo bem ao próximo e a todos os seres, por favor, pelo bem deste país que tanto amamos e que tem tantas coisas tão lindas.
Escutei, no passado Domingo, na homilia celebrada no Funchal, pelo Pd. Toni, se não estou em erro, que passou na RTP 1, “- DEUS SÓ NOS DISSE, 《- ESCUTAI-O!》”, a falar de Jesus.
Para os que não acreditam em Deus, que façam o bem maior, pois, tal como a 3.ª lei de Newton nos diz, que é universal, há sempre um retorno de igual força.