História das touradas em Portugal

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9. O fim das touradas nas regiões Norte e Algarve

A tendência natural das últimas décadas, nos países onde ainda subsistem as corridas de touros, tem sido claramente no sentido do aumento das restrições ao desenvolvimento desta atividade e a sua abolição, pela violência e risco associados, mas também – e principalmente – pelo sofrimento e maltrato a que são sujeitos os animais antes, durante e após o espetáculo.

Portugal não foge à regra dos outros países onde a tradição se mantém, e as estatísticas indicam claramente que, desde 2009, o número de espetáculos tauromáquicos e de público, têm vindo a diminuir em resultado de um crescente desinteresse dos cidadãos portugueses pelas touradas.

Viana do Castelo e Póvoa de Varzim são exemplos de municípios onde a tradição se manteve durante décadas, mas onde as autarquias decidiram deixar de investir dinheiro nas touradas, requalificando as praças de touros para que possam receber outros espetáculos durante todo o ano criando assim dezenas de novos postos de trabalho.

Porto, Coimbra, Viseu, Vila Real, Cascais, Oeiras, Espinho e muitas outras localidades do país, também já acolheram espetáculos tauromáquicos em praças de touros que foram demolidas, abandonadas ou até queimadas.

Praça de touros Albufeira
Ex-praça de touros de Albufeira vai dar lugar a um espaço moderno, sem touradas.

No Algarve, vários municípios abdicaram da realização de touradas nos últimos anos: Tavira, Loulé, Castro Marim, Faro, Lagoa, Monchique, Portimão, Silves, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António, são cidades onde se realizavam touradas em praças desmontáveis, mas que deixaram de investir neste espetáculo nos últimos anos.

Em Albufeira, a única praça de touros fixa do Algarve, e a que mais touradas organizava por ano em todo o país, fechou as portas em 2020. Apesar de ser a praça com maior número de touradas, era também a que tinha a mais baixa taxa de assistência e não resistiu ao declínio da atividade tauromáquica.

O declínio da tauromaquia traduz-se ainda nas tradicionais “garraiadas académicas”, que desapareceram de várias Universidades portuguesas nos últimos anos, como em Vila Real, Porto, Coimbra, Évora, Tomar, Viseu ou no Algarve. No caso de Coimbra, em 2018 a Associação Académica promoveu um referendo no qual 70,7% dos estudantes votaram contra a realização da Garraiada numa demonstração clara de que as novas gerações não aceitam este tipo de divertimento que implica violência contra animais.