História das touradas em Portugal

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10. A violência das touradas e as crianças

Nos últimos anos destaca-se um outro lado da violência da tauromaquia, desconhecido pela maioria dos portugueses e que mereceu destaque em 2014: a participação de crianças em espetáculos tauromáquicos e a sua exposição à violência da tauromaquia. Na sequência de uma investigação da Plataforma Basta de Touradas, em parceria com a Fundação Franz Weber, foi apresentado um extenso relatório ao Comité dos Direitos da Criança das Nações Unidas na sessão de avaliação de Portugal em Genebra (Suíça) no Alto Comissariado para os Direitos Humanos.

Na sequência deste trabalho, o Comité dos Direitos da Criança das Nações Unidas, confrontou a delegação Portuguesa e não teve dúvidas em incluir a “violência das touradas” na lista de violações da Convenção dos Direitos da Criança no nosso país, advertindo Portugal para afastar os menores de idade da tauromaquia.

Quatro anos mais tarde, em setembro de 2019, depois de verificar que o Estado Português não tinha acautelado esta questão, o Comité voltou a pronunciar-se considerando de forma expressa e clara que “O Comité recomenda que o Estado Parte (Portugal) estabeleça a idade mínima para participação e assistência em touradas e largadas de touros, inclusive em escolas de toureio, em 18 anos, sem exceção, e sensibilize os funcionários do Estado, a imprensa e a população em geral sobre efeitos negativos nas crianças, inclusive como espectadores, da violência associada às touradas e largadas.”

Crianças a tourear
Crianças a tourear na Feira Nacional de Agricultura em Santarém. Foto: Basta de Touradas