Touradas atingem mínimos históricos em Portugal

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1. Número de touradas foi o mais baixo de sempre
Em 2018 foi atingido o número mais baixo de sempre de touradas realizadas em Portugal. De acordo com os dados oficiais acabados de publicar pela Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC), realizaram-se no ano passado 173 espetáculos tauromáquicos, menos 8 que em 2017.

Estes dados demonstram uma crescente queda da atividade tauromáquica no nosso país, com um decréscimo constante no número de touradas promovidas desde o ano de 2009, em que se realizaram 313 espetáculos tauromáquicos.

2. Público das touradas é inflacionado pela IGAC
Os dados da IGAC, referem ainda que assistiram a touradas em 2018, 379.000 espetadores, valores que não correspondem à realidade, por serem obtidos através de um método arcaico, pouco rigoroso e credível.

Infelizmente a IGAC insiste em contabilizar o número de pessoas que assistem a touradas, através de estimativas realizadas pelos Diretores de Corrida, presentes em cada espetáculo, valor que consideramos não ser credível nem refletir a real dimensão da atividade tauromáquica em Portugal, tal como demonstram os números oficiais apurados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com base nos bilhetes vendidos para as touradas.

A plataforma Basta estima que o número de público que assiste a touradas seja cerca de 50% inferior ao que é apresentado pela IGAC (cerca de 150.000 pessoas), como se confirma analisando os dados oficiais publicados pelo INE, que até 2010 contabilizava o público das touradas através dos ingressos vendidos e oferecidos.
Em 2010 o INE contabilizou 311.900 espectadores nos espectáculos tauromáquicos, enquanto no mesmo ano a IGAC apresentou um valor total de 681.140 espectadores, ou seja, mais do dobro do número real.

3. Plataforma Basta alertou a IGAC e Ministério para o problema
A plataforma Basta já alertou a IGAC e o Ministério da Cultura para este erro e já solicitou formalmente ao Inspetor Geral das Atividades Culturais que o público das touradas seja contabilizado tendo por base o número de bilhetes vendidos e oferecidos pelos promotores.
As touradas perdem todos os anos público e apoios, estando cada vez mais confinadas aos municípios que apoiam a atividade com milhares de euros do erário público, comprando milhares de bilhetes para oferecer à população, ou subsidiando a realização de espetáculos e manutenção das praças de touros. Sem o recurso aos fundos públicos para custear os espetáculos, as touradas já estariam erradicadas do nosso país.
A recente sondagem da Universidade Católica sobre o interesse da população de Lisboa nas touradas, demonstra que a população não só não tem interesse neste tipo de espetáculo violento, como na esmagadora maioria, não concorda com o seu financiamento com fundos do erário público.

Lisboa, 23 de janeiro de 2019

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