Liga Portuguesa Contra o Cancro não apoia touradas

Liga Portuguesa Contra o Cancro não apoia touradas
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  • Direção da Liga assume publicamente oposição às touradas.
  • Instituição recusa estar associada à violência da tauromaquia e já solicitou a anulação da tourada a favor do Núcleo Regional dos Açores.

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A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) anunciou publicamente através da sua página na rede social “facebook” que é “absolutamente contra a realização de touradas e de espetáculos semelhantes”.

A comunicação surge na sequência do anúncio, através de uma conferência de imprensa, e em diversos órgãos de comunicação tauromáquicos, da organização de uma tourada no próximo dia 29 de maio, na praça de touros de Angra do Heroísmo, cujas receitas revertiam a favor do Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro, com a participação do Matador espanhol Javier Castaño.

A Plataforma Basta contactou, no dia 28 de abril, a Direção da Liga para solicitar esclarecimentos acerca da notícia que deixou indignados milhares de cidadãos.

Hoje, o Presidente Nacional da LPCC, Vítor Veloso, informou a Plataforma que “a Direção da Liga Portuguesa Contra o Cancro é absolutamente contra a realização de Touradas ou de espetáculos semelhantes e, que, de imediato, providenciamos no sentido da anulação do espetáculo programado pelo Núcleo Regional dos Açores. Apresentamos as nossas desculpas por tão insólita organização que só por descuido, desatenção e inexperiência foi anunciado. Com a certeza que não pactuamos com este tipo de espetáculo”.

A Basta congratula-se com a posição assumida pela Direção da LPCC, no respeito pelos valores fundamentais de responsabilidade social, ao não aceitar a colaboração na organização de um espetáculo violento e que implica maus tratos graves a animais.

Lembramos que a tourada é um espetáculo cada vez mais repudiado pelos cidadãos portugueses. De acordo com as estatísticas oficiais, nos últimos 5 anos (2010-2015) as corridas de touros perderam 42% do seu público em Portugal (fonte: IGAC).

Em Fevereiro de 2014, o Comité dos Direitos da Criança da ONU reconheceu o carácter violento da tauromaquia, instando o Estado português, a adoptar medidas para proteger as crianças e jovens da “violência física e mental da tauromaquia”;

Sendo a Liga Portuguesa Contra o Cancro uma instituição prestigiada e com reconhecido mérito na sociedade portuguesa, é com agrado que recebemos a informação que esta instituição não aceita estar conotada com as touradas, pelo facto, já felicitamos a sua Direção.

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Veículo dos bombeiros usado para promover tourada

Veículo dos bombeiros usado para promover tourada
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Um veículo dos Bombeiros Voluntários de Beja (BVB) foi utilizado para fins publicitários, percorrendo as ruas da cidade a anunciar uma tourada realizada na praça de touros “José Varela Crujo”.

Equipado com material sonoro e cartazes de publicidade alusiva à corrida de touros a favor da CerciBeja e B.V.B. realizada no passado domingo, dia 19 de outubro de 2014, o veículo percorreu durante vários dias as ruas da cidade anunciando a corrida de touros.

A viatura em causa, destina-se ao transporte de equipamento técnico/operacional, diverso, de apoio a operações de socorro e/ou assistência (VETA – Veículo com Equipamento Técnico de Apoio) de acordo com a Norma Operacional Permanente (NOP 5101/2009) emitida pelo Comando Nacional de Operações de Socorro.

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Entendemos que se torna claro que a viatura dos Bombeiros foi utilizada indevidamente para um fim diferente daquele a que está destinada: o apoio a operações de socorro e assistência, pelo que o caso já foi denunciado às autoridades nacionais competentes bem como ao Comando Distrital de Operações de Socorro de Beja.

Ao mesmo tempo lamentámos o facto de uma corporação de bombeiros promover um espetáculo que é polémico, violento e cada vez mais contestado na nossa sociedade pelo sofrimento desnecessário e prolongado de animais, bem como a sua morte, princípios contrário aos valores éticos e ao próprio lema dos Bombeiros portugueses: “vida por vida”. Existem outras formas de obtenção de fundos com caráter benéfico, sem necessidade de recorrer ao maltrato de animais.

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As crianças e a tourada: o dever de proteção social

As crianças e a tourada: o dever de proteção social
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O Comité dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas, no seu documento CRC/C/PRT/CO/3-4 de 31 de janeiro de 2014, a par de outras problemáticas sociais da realidade portuguesa, expressa, claramente, a sua preocupação com a integridade das crianças envolvidas nos espetáculos tauromáquicos, quer como participantes quer como espectadores.

Reconhecendo o caráter violento da atividade tauromáquica, o Comité incentiva Portugal a tomar as necessárias medidas legislativas e administrativas para proteger a integridade física e psicológica das crianças. Deixa ainda em aberto uma eventual recomendação futura no sentido da proibição total da participação de crianças em touradas. No referido documento, é expressamente recomendado o aumento da idade mínima para participação e assistência a espetáculos tauromáquicos, à altura da elaboração do documento nos 12 e 6 anos, respetivamente. Foi aliás neste seguimento que o governo português aprovou no artigo 27º do Decreto-lei nº 23/2014, de 14 de fevereiro, a subida da idade mínima para assistir a touradas para os 12 anos.

A recomendação do Comité dos Direitos da Criança, bem como a consequente legislação do governo português, vem finalmente atestar inequivocamente que a tourada constitui um espetáculo violento e, como tal, deve estar sujeita às mesmas restrições etárias que outros espetáculos de natureza artística e divertimentos públicos considerados violentos.

Deste modo, torna-se evidente que a recente recomendação do Comité dos Direitos da Criança a Portugal encontra-se solidamente ancorada em evidências científicas.

Enquanto os riscos para a integridade física das crianças que participam ativamente nos espetáculos tauromáquicos são óbvios e inquestionáveis, tendo em conta a estatura e força dos animais envolvidos e a natureza da interação dos mesmos com as crianças intervenientes, os riscos para a sua integridade psíquica, moral e social são menos óbvios, porém não menos negligenciáveis.

Diversos estudos comprovam que a exposição a violência explícita nos media provoca efeitos significativos a curto-prazo, aumentando a probabilidade de originar comportamentos agressivos ou de medo. Este efeito é particularmente preponderante nas crianças mais novas, e em especial, do sexo masculino (para uma revisão, ver Browne & Hamilton, 2005). Ocorre também um efeito de dessensibilização face à violência, podendo esta ser aceite como forma de solução de problemas violentos (Bartholow, Sestir & Davis, 2005) o que, por seu turno, pode contribuir para o aparecimento de comportamentos desviantes (Fitzpatrick, C., Barnett, T. & Pagani, 2012).

Especificamente no respeitante à tourada, um estudo realizado em Madrid com 240 crianças dos 8 aos 12 anos de idade (Graña et. al., 2004)., demonstrou que a maioria das crianças apresentava naturalmente uma atitude negativa face à mesma, expressando reações emocionais negativas quando a ela expostas. O mesmo estudo atesta, ainda, que o facto de a tourada ser apresentada aos menores como um espetáculo cultural, chega a aumentar os efeitos nefastos que tem nos mesmos: as crianças que assistem a touradas sendo sugestionadas para as ver como um espetáculo festivo obtém resultados significativamente mais elevados em escalas de ansiedade e agressividade do que crianças que assistem a uma tourada sem qualquer sugestão.

francisco 10a bencatel 001Os estudos sobre empatia revelam uma correlação positiva entre a capacidade de empatizar com seres humanos e a capacidade de empatizar com animais não-humanos (Signal & Taylor, 2007). Assim, é pertinente pensar que ao ensinar as crianças a ignorar o sofrimento do touro, estamos a potenciar um défice na sua capacidade de empatizar com seres humanos, o que acarreta, necessariamente, consequências psíquicas, morais e sociais. Importa salientar que a empatia não só sustenta a maioria das decisões morais que tomamos (Miller, Hannikainen.& Cushman, 2014) mas também se encontra na base dos comportamentos cooperativos, imprescindíveis para a vida em sociedade (para uma revisão sobre a evolução e papel da empatia ver Castro, Gaspar & Vicente, 2010). Comprovando tal fato, tem sido demonstrado que a promoção de atitudes de respeito e afeto para com os animais não-humanos é benéfica para o bom desenvolvimento das crianças a vários níveis (para uma revisão ver, por exemplo, Endenburg. & van Lith, 2011).

Deste modo, torna-se evidente que a recente recomendação do Comité dos Direitos da Criança a Portugal encontra-se solidamente ancorada em evidências científicas. Como tal, e muito além de quaisquer considerações acerca da legitimidade das atividades tauromáquicas, deve ser claro para todos os seus intervenientes que, no supremo interesse da criança, devem ser célere e claramente transpostas para a legislação portuguesa medidas que a protejam dos possíveis riscos desta atividade.

Dr.ª Constança Carvalho

Psicóloga Clínica, especialista em desenvolvimento infantil

Referências Bibliográficas
  • Bartholow, B., Sestir, M. & Davis,E. (2005) Correlates and consequences of exposure to video game violence: hostile personality, empathy, and aggressive behavior. Pers Soc Psychol Bull. 31(11), pp.1573-86.
  • Browne, K.D. & Hamilton-Giachritsis, C. (2005). The influence of violent media on children and adolescents:a public-health approach. Lancet; 365(9460), pp. 702-10.
  • Castro, R., Gaspar, A., Vicente, L. (2010). The Evolving Empathy: hardwired bases of human and non-human primate empathy. Psicologia, XXIV(2), pp.131-152
  • Endenburg, N. & van Lith, H.A. (2011). The influence of animals on the development of children. Vet J., 190(2), pp.208-14
  • Fitzpatrick, C., Barnett, T. & Pagani L.S. (2012) Early exposure to media violence and later child adjustment. J Dev Behav Pediatr.,33(4), pp. 291-7.
  • Graña, J., Cruzado, J., Andreu, J., Muñoz-Rivas, M., Peña, M. &  Brain, P. (2004). Effects of viewing videos of bullfights on Spanish children. Aggressive Behavior, 30 (1), pp. 16–28.
  • Miller, R., Hannikainen, I.& Cushman, F. (2014). Bad Actions or Bad Outcomes? Differentiating Affective Contributions to the Moral Condemnation of Harm. Emotion. 2014 Feb 10. [Epub ahead of print]
  • Signal, T & Taylor, N (2007). Attitude to Animals and Empathy: Comparing Animal Protection and General Community Samples. Anthrozoos, 20(2), pp. 125-130.
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Tourada com menores alvo de inspeção

Tourada com menores alvo de inspeção
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alenquer_18-de-maio-de-2013_corrida-de-toiros_imgA Autoridade para as Condições do Trabalho (A.C.T.), através da Unidade Local de Vila Franca de Xira, realizou no dia 31 de maio de 2013, uma visita inspetiva à praça de touros de Alenquer, onde decorreu uma corrida de touros inserida nas Festas do Divino Espirito Santo. A tourada estava inicialmente prevista para o dia 18, mas devido às condições climatéricas adversas, foi adiada para o dia 31.

A ação inspetiva ocorreu na sequência de uma denúncia efetuada pela Plataforma Basta, devido à inclusão de diversos artistas menores de idade no elenco anunciado. No início deste ano de 2014, a A.C.T. informou a ‘Basta’, através de ofício, que na sequência dessa inspeção, foi verificado “de forma pessoal, direta e imediata a participação de menores na referida corrida de touros”. A Autoridade para as Condições do Trabalho acrescenta que face às irregularidade detetadas, foram instaurados dois autos relacionados com a participação de menores em “atividade que envolve contato com animais que podem constituir risco para a sua segurança” e falta de autorização da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens para a atuação no evento taurino.

A ação inspetiva ocorreu na sequência de uma denúncia efetuada pela Plataforma Basta

A Plataforma Basta, congratula-se com a intervenção das autoridades na praça de touros de Alenquer. Este caso vem confirmar a ilegalidade que se tem vindo a verificar noutras arenas, através da utilização de menores de idade, participando como artistas em atividades tauromáquicas em Portugal. Uma situação grave, que ocorre não só em praças de touros, mas também em propriedades privadas, festejos populares e escolas de toureio.

Recorde-se que as Nações Unidas, através do Comité dos Direitos da Criança, já reconheceu de forma expressa, em fevereiro deste ano, o caráter violento da tauromaquia, e instou o Estado português a aumentar a idade mínima para assistir e participar em eventos tauromáquicos, como forma de proteger “o bem estar físico e mental dos menores”.

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Tourada na RTP conseguiu a pior audiência da noite

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Ontem à noite a indústria das touradas sofreu duas derrotas significativas. Não só não conseguiu encher a praça de touros do Campo Pequeno na designada “Corrida de gala” como ainda viu a transmissão televisiva redundar num grande fracasso.

A tourada transmitida em directo durante 3h e 15 minutos pela RTP foi o programa com pior audiência ontem à noite na televisão portuguesa.

Segundo os dados da GFK/CAEM referentes às audiências dos três canais em sinal aberto (RTP, SIC e TVI), a tourada transmitida pelo serviço público de televisão a partir das 22 horas, foi o programa com a pior audiência naquele horário, muito longe dos restantes concorrentes. Observando a tabela das audiências do dia 3 de Outubro, verificamos ainda que a “Corrida de gala” obteve um modesto 19º lugar nos programas mais vistos do dia.

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Parlamento holandês exige fim dos subsídios da UE para as touradas

Parlamento holandês exige fim dos subsídios da UE para as touradas
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Foto: Campo Pequeno (Lisboa – Portugal).

Por unanimidade, foi ontem aprovada pelo Parlamento holandês uma resolução pedindo o fim dos subsídios da União Europeia para as touradas. A proposta do Partido PvdD, liderado por Marianne Thieme, acolheu o apoio de todos os partidos políticos com assento no Parlamento da Holanda, que irá agora solicitar formalmente à União Europeia que retifique as suas políticas agrárias de modo a que os espectáculos cruéis com animais não sejam subsidiados com dinheiro dos contribuintes europeus.

Recentemente um grupo de eurodeputados apresentou um estudo intitulado “Toros e impuestos. Subvenciones del Estado español y la UE para la tauromaquia y cría del toro”, que indica que a UE atribui em Espanha cerca de 130 milhões de euros para a criação de touros de lide através da PAC (Política Agrícola Comum). Também os criadores de touros portugueses (e alguns franceses) beneficiam destes subsídios de vários milhões de euros anuais, para obter animais com fisionomia e comportamento adequados para as touradas.

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AIP e tauromaquia – Indignação

AIP e tauromaquia – Indignação
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Nas últimas horas a Plataforma Basta recebeu milhares de denúncias de cidadãos indignados com a realização de um evento promovido pela AIP (Associação Industrial Portuguesa) relacionado com as touradas, no tentadero da Companhia das Lezírias no dia 1 de junho de 2013.

Segundo a informação divulgada publicamente1 este evento (destinado aos sócios da A.I.P. ) inclui um “Workshop sobre Festa Brava” bem como a lide de animais através de uma “sessão prática de tauromaquia” considerada “um verdadeiro desafio para os mais corajosos”, prática que desde já condenamos de forma veemente pelos maus tratos e sofrimento a que são sujeitos nestas “sessões” animais muito jovens.

A troco de 50€2 a A.I.P. proporciona a possibilidade aos seus sócios de “enfrentar” animais indefesos e inocentes, que geralmente nestes casos não têm mais de um ano de idade.

Estamos certos que a generalidade dos associados da A.I.P. não se identifica com este tipo de práticas violentas e que a responsabilidade social é um valor fundamental desta prestigiada Associação, pelo que estranhamos a sua ligação a uma prática polémica na sociedade portuguesa.

Questionamos ainda os associados da A.I.P. sobre se consideram ser esta a estratégia de comunicação e motivação dos parceiros que a A.I.P. deve seguir?

Lisboa, 30 de maio de 2013

Basta. Plataforma para a abolição das corridas de touros

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Crianças pedem o cancelamento de tourada

Crianças pedem o cancelamento de tourada
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Dirigentes da “El Cuarto Hocico” com Jane Goodall.fonte: “Infância sem Violência”
Dirigentes da “El Cuarto Hocico” com Jane Goodall.fonte: “Infância sem Violência”

A Irmãs da Congregação Religiosa Católica “Iesu Communio” (Burgos – Espanha) anunciaram a realização de uma tourada para o dia 4 de maio de 2013, a fim de arrecadar fundos para a restauração de um mosteiro.

As crianças da organização “El Cuarto Hocico” – coletivo de proteção animal dirigido por crianças – escreveram uma carta às freiras, onde demonstraram a sua preocupação com a tourada anunciada pedindo-lhes para não torturar os animais, oferecendo mil euros e todo o dinheiro que conseguirem arrecadar em donativos para que desistam da iniciativa.

“Queremos colaborar com vocês oferecendo 1000 € que já temos”, explicaram as crianças na sua carta

As crianças (estudantes numa escola em Muel – Saragoça) na carta dirigida às freiras, expressam a sua preocupação não só pela crueldade a que serão submetidos os animais, mas também se mostraram muito surpreendidas pelo facto de uma entidade religiosa organizar eventos onde até mesmo um ser humano pode ser ferido ou morto, e salientaram os danos que estas práticas causam na sociedade, que se habitua à violência e se insensibiliza perante o sofrimento alheio.

“Queremos colaborar com vocês oferecendo 1000 € que já temos”, explicaram as crianças na sua carta, esclarecendo “não podemos entender que para obter algo material seja necessário ferir outro ser, muito menos num espetáculo público que nos dá um mau exemplo e transmite uma mensagem para a sociedade de que a violência é uma coisa boa”.

Recorde-se que  “El Cuarto Hocico” recebeu em fevereiro passado o Prémio Nacional APDDA 2012, atribuído pela Associação Parlamentar em Defesa dos Animais, partilhando esta distinção com a famosa primatologista Jane Goodall, que recebeu o Prémio Internacional. Além disso a “El Cuarto Hocico” desenvolveu a iniciativa “Children for Animals” apoiada por personalidades da educação e da ciência, um projeto através do qual as crianças de Muel convidam todas as crianças do mundo a criar as suas próprias organizações e a trabalhar em conjunto numa rede global de proteção de animais dirigidas por crianças. Outro dos prémios que recebeu a organização foi concedida pela própria Jane Goodall, o prémio de melhor projeto do III Concurso Nacional de Ecoiniciativas. Receberam ainda o Prémio Nacional CreArte do Ministério da Cultura espanhol, entre outros.

fonte: “Infância sem Violência”

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Liberdade não rima com tourada

Liberdade não rima com tourada
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Vista geral do público aguardando início de uma tourada em Moçambique em Setembro de 1937, realizada no âmbito do programa da exposição agrícola.

Nos últimos anos “Liberdade” e “touradas” têm andado juntas na boca dos responsáveis pela industria tauromáquica.

Mas “Liberdade” e “touradas” são duas palavras que não combinam. Desde logo pelo óbvio: porque a liberdade é negada ao principal interveniente na tourada, o touro, muitas horas antes de se dar início ao espetáculo. Em algumas praças de touros as barreiras que cercam a arena foram até aumentadas para garantir a “liberdade” de cravar afiadas farpas num animal encurralado ao qual não é dada possibilidade de fuga de um destino que é certo: a morte.

Este aspeto não foi ignorado pelos nossos decisores políticos que se viram “obrigados” a criar exceções na legislação para permitir que nos nossos tempos, milhares de animais possam ser agredidos em público nas tradicionais touradas. Desde esse momento que a tourada se viu confinada a um canto escuro à margem da evolução da nossa sociedade.

Mas a tauromaquia esteve sempre muito relacionada com correntes ideológicas conservadoras e absolutistas. Mais tarde, a indústria taurina desenvolveu-se dentro de uma classe burguesa tradicionalista e marialva, que alcançou benefícios no período do Estado Novo para cimentar as fundações de uma atividade fora do seu tempo.

tourada antitourada portugal basta

Touro ferido na arena do Campo Pequeno em Lisboa.

Do ponto de vista político, basta recuar até 1974 para perceber que a “Liberdade” nunca rimou com “tourada”. O fim da ditadura em Portugal fez ruir a conservadora industria tauromáquica que precisou de alguns anos para se restabelecer e encontrar espaço na democracia portuguesa. Com a revolução de 1974, a tauromaquia passou mais uma vez do estado de graça para uma situação onde tudo lhe era desfavorável, apesar de se manter a atração pelos touros em algumas regiões do Ribatejo e Alentejo. A tauromaquia, nos primeiros momentos após o 25 de abril, surgiu associada à “reação”, e o argumento da tradição não serviu para justificar a continuação do negócio de exploração de um espetáculo conotado com a fidalguia, o absolutismo monárquico e a ditadura fascista do Estado Novo.

“(…) depois do tal dia em que tantas garrafas de espumoso viram saltar a rolha, neste bem aventurado país toda a gente se pôs a armar em progressista, ninguém se confessa das direitas, a custo aparece um ou outro a proclamar-se do centro, a admitir que tem um primo forcado, ou um bisavô que foi marialva latifundiário.”

“Touros e reacção: Crónicas taurinas da temporada de 1974”. Lisboa: D. L. Petrony, 1975

Estas palavras foram publicadas logo em 1975 no livro “Touros e Reação – crónicas taurinas da temporada de 1974”, e demonstram o clima de pressão que era exercido sobre os mais notáveis e influentes aficionados das touradas no ativo em Portugal.

A tourada deixou de ter na sociedade portuguesa a visibilidade que conseguiu alcançar durante a ditadura do Estado Novo. Alguns toureiros viram-se obrigados a procurar fama nas arenas espanholas e mexicanas, os empresários tauromáquicos deitaram contas à vida, assim como os criadores de touros que com a redução do numero de corridas apostaram na exportação dos touros para outras paragens. As estatísticas da época indicam que o número de touros de lide exportados quase duplicou em 1974, devido à falta de mercado em Portugal.

Touros de lide exportados em Portugal (Sindicato Nacional dos Toureiros Portugueses)
Touros de lide exportados em Portugal (Sindicato Nacional dos Toureiros Portugueses, 1975)

 Os grandes latifundiários do Ribatejo e Alentejo, onde se localizavam as grandes herdades de criação de touros e cavalos, viram-se igualmente ameaçados pelos camponeses revoltados com a sua situação miserável, mas também com a ocupação de propriedades, através da Lei da Reforma Agrária. A este propósito é sugestiva a intervenção do deputados Casimiro dos Santos (PS) na Assembleia Constituinte, em fevereiro de 1976, reagindo às preocupações demonstradas por alguns partidos de direita, pelas ocupações consideradas ilegais e ilegítimas de propriedades agrícolas. “(…) Como não podia deixar de ser, a acompanhar o PPD e o CDS aparece também o PPM, com os seus condes, duques, toureiros e ‘ganaderos’, saudosos das grandes coutadas e das touradas à antiga portuguesa”.

Logo nos primórdios da Revolução as elites do negócio tauromáquico apareciam “encostadas” aos partidos mais à direita, conservadores e monárquicos. A associação da tauromaquia à “reação” ganhou forma logo após a Revolução. Em 26 de setembro de 1974 uma tourada no Campo Pequeno a favor da Liga dos Combatentes, transformou-se num comício de preparação para a manifestação da chamada “maioria silenciosa” de apoio a António de Spínola, ficando a tourada celebrizada como uma tentativa de “contra-revolução” e de repúdio ao programa do Movimento das Forças Armadas. “Viva Spínola”, “Viva o Ultramar”, “Viva a GNR” e “Abaixo o MFA” foram algumas palavras de ordem gritadas nos altifalantes da praça de touros do Campo Pequeno. O próprio toureiro José João Zoio exibiu-se na arena com um dos célebres cartazes verdes da “reação” espalhados pelo país convocando os espectadores para a manifestação da “maioria silenciosa”. Dentro da praça de touros, a corrida foi várias vezes interrompida por manifestações de apoio a Spínola enquanto cá fora, à porta da praça de touros, se gritava “abaixo a reação” e “o fascismo não passará”.

28Setembro 1974 bastaO país vivia um período bastante inquieto de transição para a democracia, com toda a agitação política, a descolonização, eleições, etc…. Os defensores da festa brava tiveram que se organizar e reagir rapidamente à ameaça evidente que o período político representava. O Sindicato Nacional dos Toureiros Portugueses decidiu criar uma “Secção de Controle e Defesa do Toiro e do Cavalo” através da qual faz publicar a “Síntese do valor Económico e Social da Raça Bovina Brava” onde procurou demonstrar, em 1975, a importância do negócio tauromáquico, não só ao nível económico mas também turístico e de solidariedade pela fonte de receita que representava para instituições como asilos e hospitais. “Cuidamos que na pressa justificada de se recuperar tempos e valores perdidos, de se acudir a tudo e a todos, a potencialidade económica que acabamos de denunciar, não fique sem a atenção prioritária que se terá de conceder a quanto, esta Revolução, possa constituir factor importante ou vital de recuperação”. O Sindicato dos Toureiros, neste autêntico manifesto de propaganda tauromáquica, tentou recuperar a ideia, defendida pelo Estado Novo, que as touradas deviam constituir um cartaz turístico por ser um espetáculo diferente de todos os outros “Sem que queiramos ser apaixonados, pensamos que na confeção da nossa ‘ementa’, a corrida de toiros é, indiscutivelmente, um prato forte; forte e caro, que o estrangeiro paga sem discutir”. Apesar das contrariedades na agitada temporada de 1974, continuaram a realizar-se corridas de touros no Campo Pequeno e em Cascais, além de outras localidades do Ribatejo e Alentejo como, Coruche, Vila Viçosa, Barrancos e Moura mas sem que alguma vez o espetáculo se tenha tornado um cartaz turístico forte do nosso país.

Já alguns anos antes, o processo de implantação da República em 1910, foi igualmente nefasto para o negócio das touradas. A tourada, não se livrou da sua forte conotação com a fidalguia monárquica, associada a um Portugal atrasado, conservador e retrógrado, pelo que os toureiros da nobreza se afastaram das lides nas arenas. Muitas das novas praças construídas, ficaram ao abandono ou desapareceram.

Muitas praças de toiros do país caíram em ruínas, outras foram demolidas e só, durante o governo do Presidente do Conselho, Dr. António de Oliveira Salazar, se reconstruíram algumas dessas Praças, entre as quais a de Santarém – a maior de Portugal – graças à iniciativa do ex-Ministro Dr. Rafael Duque, e a de Cascais que hoje constitui um magnífico elemento de motivação turística da Costa do Sol”

Barreto, Mascarenhas. “Corrida: Breve história da tauromaquia em Portugal”. Lisboa: Ag. Port. Revistas, 1970.

Invocar a Liberdade para procurar legitimar as touradas é negar a história e a natural evolução para uma sociedade mais justa, consciente e tolerante.

Combinar Liberdade com violência, sangue, sofrimento e morte é por isso depreciar um valor que para nós portugueses tem tanto significado e que associamos a fraternidade, amizade, tolerância e paz. Incutir nas gerações mais jovens que o valor da liberdade pode justificar a prática de atos de crueldade com os animais é insensato e contrário aos princípios de respeito e compaixão pelos animais que a nossa sociedade procura estabelecer junto das crianças.

Liberdade nunca rimou com touradas.

touro antitourada liberdade

Bibliografia:

  • Solilóquio, pseud. “Touros e reação: Crónicas taurinas da temporada de 1974”. Lisboa : Depos. Livr. Petrony, 1975.
  • Sindicato Nacional dos Toureiros Portugueses. “Síntese do valor económico e social da raça bovina brava”. Lisboa : Sind. Nac. dos Toureiros Portugueses, [D.L. 1975].
  • Diário da Assembleia Constituinte nº 112. Sessão nº111 de 11 de Fevereiro de 1976.
  • “Morte ao fascismo o povo vencerá”. Diário de Lisboa (27 de Setembro de 1974).
  • Barreto, Mascarenhas. “Corrida: Breve história da tauromaquia em Portugal”. Lisboa: Ag. Port. Revistas, 1970.
  • Almeida, Jaime Duarte de. “História da Tauromaquia”. Lisboa: Artis, 1951.
  • Machado, Fernão Boto. “Abolição das touradas: projecto de Lei”. Lisboa: Typ. Bayard, 1911.

 

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