“Minipreço” não patrocina mais touradas

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foto: www.minipreco.pt

O Departamento de Comunicação do “Minipreço”, cadeia de supermercados do “Grupo Dia, Distribuidora Internacional de Alimentação”, informou a plataforma cívica “Basta” que a sua imagem foi utilizada indevidamente como alegado patrocinador de um evento tauromáquico em Bencatel (Distrito de Évora). A empresa acrescenta que “o Minipreço não se associa a questões que envolvam a violação dos Direitos dos Animais, mesmo que de tradição cultural, como a tourada. O caso que nos relatou foi devido a um patrocínio de franchising não tendo havido conhecimento nem autorização central do mesmo. Gostaríamos, no entanto, de informar que devido ao seu contacto, já efectuámos todas as diligências para que nenhum tipo de patrocínio volte a suceder, sendo claro que o Minipreço não se associa a nenhum evento que implique a violação de quaisquer tipo de Direitos.”.

A plataforma cívica “Basta” congratula-se com o esclarecimento prestado pela empresa depois das dúvidas em relação ao alegado apoio da marca “Minipreço” a eventos que implicam a lide e maltrato de animais com a agravante de, neste caso específico, incluírem a participação de alguns menores.

Esta tomada de posição do “Minipreço” surge poucos dias após a multinacional “Heineken” também ter informado do uso abusivo da marca na publicidade a uma tourada em Espanha: “A Heineken não apoia este evento nem apoiamos nenhum outro relacionado com as touradas”, referiu a empresa em comunicado.

Já em 2012, o Grupo Bosch anunciou que “jamais apoiará touradas” após ser informado pela “Basta.” que o seu logotipo estava a ser utilizado na publicidade às touradas na cidade de Albufeira.

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Parlamento holandês exige fim dos subsídios da UE para as touradas

Parlamento holandês exige fim dos subsídios da UE para as touradas
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Foto: Campo Pequeno (Lisboa – Portugal).

Por unanimidade, foi ontem aprovada pelo Parlamento holandês uma resolução pedindo o fim dos subsídios da União Europeia para as touradas. A proposta do Partido PvdD, liderado por Marianne Thieme, acolheu o apoio de todos os partidos políticos com assento no Parlamento da Holanda, que irá agora solicitar formalmente à União Europeia que retifique as suas políticas agrárias de modo a que os espectáculos cruéis com animais não sejam subsidiados com dinheiro dos contribuintes europeus.

Recentemente um grupo de eurodeputados apresentou um estudo intitulado “Toros e impuestos. Subvenciones del Estado español y la UE para la tauromaquia y cría del toro”, que indica que a UE atribui em Espanha cerca de 130 milhões de euros para a criação de touros de lide através da PAC (Política Agrícola Comum). Também os criadores de touros portugueses (e alguns franceses) beneficiam destes subsídios de vários milhões de euros anuais, para obter animais com fisionomia e comportamento adequados para as touradas.

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Estado mexicano aboliu as touradas

Estado mexicano aboliu as touradas
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O Estado de Sonora, um dos maiores do México, aboliu por unanimidade as touradas, ao aprovar uma nova lei de proteção animal onde ficou clara a proibição de licenciar a realização de touradas, novilhadas, bezerradas ou qualquer tipo de toureio a cavalo.

Segundo a imprensa do México, o deputado Vernon Pérez Rubio Arteé, em nome da Comissão de Energia e Meio Ambiente, destacou a importância das medidas aprovadas a fim de evitar o maltrato aos animais, estabelecendo sanções que procuram dissuadir a conduta violenta.

“As sanções estabelecidas procuram dissuadir a conduta violenta que se pode repercutir num problema maior”

O Pleno do Congresso do Estado de Sonora adoptou ainda medidas de proteção dos animais domésticos obrigando as autarquias a realizar, pelo menos uma vez ao ano, campanhas gratuitas de esterilização de animais.

Os legisladores deste Distrito Federal, já tinham aprovado em Dezembro de 2012 uma reforma do código penal incluindo a punição do maltrato aos animais com penas de seis meses a dois anos de prisão.

As touradas neste Estado mexicano passam a partir de agora a fazer parte do passado.

Fontes: CNN México, El Semanário.

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Crianças pedem o cancelamento de tourada

Crianças pedem o cancelamento de tourada
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Dirigentes da “El Cuarto Hocico” com Jane Goodall.fonte: “Infância sem Violência”
Dirigentes da “El Cuarto Hocico” com Jane Goodall.fonte: “Infância sem Violência”

A Irmãs da Congregação Religiosa Católica “Iesu Communio” (Burgos – Espanha) anunciaram a realização de uma tourada para o dia 4 de maio de 2013, a fim de arrecadar fundos para a restauração de um mosteiro.

As crianças da organização “El Cuarto Hocico” – coletivo de proteção animal dirigido por crianças – escreveram uma carta às freiras, onde demonstraram a sua preocupação com a tourada anunciada pedindo-lhes para não torturar os animais, oferecendo mil euros e todo o dinheiro que conseguirem arrecadar em donativos para que desistam da iniciativa.

“Queremos colaborar com vocês oferecendo 1000 € que já temos”, explicaram as crianças na sua carta

As crianças (estudantes numa escola em Muel – Saragoça) na carta dirigida às freiras, expressam a sua preocupação não só pela crueldade a que serão submetidos os animais, mas também se mostraram muito surpreendidas pelo facto de uma entidade religiosa organizar eventos onde até mesmo um ser humano pode ser ferido ou morto, e salientaram os danos que estas práticas causam na sociedade, que se habitua à violência e se insensibiliza perante o sofrimento alheio.

“Queremos colaborar com vocês oferecendo 1000 € que já temos”, explicaram as crianças na sua carta, esclarecendo “não podemos entender que para obter algo material seja necessário ferir outro ser, muito menos num espetáculo público que nos dá um mau exemplo e transmite uma mensagem para a sociedade de que a violência é uma coisa boa”.

Recorde-se que  “El Cuarto Hocico” recebeu em fevereiro passado o Prémio Nacional APDDA 2012, atribuído pela Associação Parlamentar em Defesa dos Animais, partilhando esta distinção com a famosa primatologista Jane Goodall, que recebeu o Prémio Internacional. Além disso a “El Cuarto Hocico” desenvolveu a iniciativa “Children for Animals” apoiada por personalidades da educação e da ciência, um projeto através do qual as crianças de Muel convidam todas as crianças do mundo a criar as suas próprias organizações e a trabalhar em conjunto numa rede global de proteção de animais dirigidas por crianças. Outro dos prémios que recebeu a organização foi concedida pela própria Jane Goodall, o prémio de melhor projeto do III Concurso Nacional de Ecoiniciativas. Receberam ainda o Prémio Nacional CreArte do Ministério da Cultura espanhol, entre outros.

fonte: “Infância sem Violência”

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Música e dança em vez de tortura

Música e dança em vez de tortura
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A praça de touros de Santamaria, na cidade de Bogotá (Colombia) deixou de acolher touradas desde 2012, depois da autarquia local ter revogado o contrato com a empresa tauromáquica que geria o espaço.

O recinto, com capacidade para 14.500 pessoas passou a acolher outro tipo de eventos que não envolvem o maltrato e violência contra animais, como provas desportivas e diversas atividades culturais.

Foi o que aconteceu este domingo, dia 28 de abril, Dia Internacional da Dança. Milhares de pessoas lotaram as bancadas da Praça e a arena, cantando e dançando ao ritmo da ‘salsa’ com a presença de cerca de 150 bailarinos profissionais, vencedores de Campeonatos Mundiais e sul-americanos.

A praça de touros de Bogotá é um excelente exemplo para a humanidade e uma prova de que a evolução é possível e está a acontecer.

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As touradas em Portugal – Breve história de uma atividade polémica

As touradas em Portugal – Breve história de uma atividade polémica
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CAPA-3

A realização de touradas nunca foi consensual na sociedade portuguesa e por quatro vezes estiveram proibidas no nosso país. A sua promoção ao longo dos últimos 300 anos foi inconstante havendo registo de vários períodos em que praticamente deixaram de existir os combates com touros em Portugal.

A promoção de touradas esteve sempre relacionada com a evolução da nossa sociedade e em particular no século XIX com as lutas entre liberais e absolutistas. Periodos como a implantação da República e a transição para a Democracia foram nefastos para as touradas que quase desapareceram em Portugal.

touradas portugalInicialmente as lutas com touros consistiam em exercícios militares para aguçar a ferocidade dos combatentes e aperfeiçoar a sua perícia. Mais tarde com o surgimento da pólvora, a cavalaria perdeu a sua importância nos campos de batalha e os combates com touros e outros animais ‘ferozes’ ganharam um carácter lúdico mas igualmente violento, originando um grande número de vítimas mortais. A prática desta atividade esteve sempre reservada às classes mais privilegiadas da sociedade.

Os combates sangrentos como diversão foram sempre contestados pela igreja católica. O Papa Pio V chegou a proibir a sua realização em 1567, acabando desde logo com a realização de touradas em Itália. Em Portugal e Espanha a decisão do Papa foi desrespeitada, a Bula Papal foi ignorada e o seu conteúdo escondido ou adulterado, mas a Bula chegou a ser publicada em Portugal e as touradas proibidas pelo Cardeal D. Henrique.

touradas portugal antitourada 2As corridas de touros não são um exclusivo da Peninsula Ibérica. Elas ocorreram um pouco por toda a Europa medieval. A maioria dos países abandonou ou aboliu este tipo de espetáculos sangrentos por volta do século XVI por se tratarem de eventos cruéis e impróprios de nações civilizadas. Atualmente as touradas são proibidas em diversas nações europeias como a Dinamarca, Alemanha, Itália ou Inglaterra.

Em Portugal foram proibidas novamente em 1809 pelo Principe Regente D. João. A proibição das touradas foi cumprida com determinação pelo Intendente Geral da Polícia Lucas Seabra da Silva que se referiu a elas nestes termos: “Os combates de touros sempre foram considerados como um divertimento impróprio de humana Nação civilizada”.

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Lutas com touros em Inglaterra (1620).

As corridas de touros mantiveram-se em Espanha sendo daí exportadas para Portugal onde foram alvo de várias restrições e abolidas por decreto em 1836. Por constituírem uma importante fonte de receita para a Casa Pia de Lisboa e para as Misericórdias, e por forte pressão destas duas entidades, as touradas foram novamente autorizadas mas apenas para fins benéficos. No entanto a determinação não foi respeitada e rapidamente se transformaram num evento comercial lucrativo para um pequeno grupo de empresários tauromáquicos, acompanhando e imitando a evolução que acontecia no país vizinho. Essa influência é evidenciada nos trajes, nas lides, no vocabulário e até na música que se ouve nas praças.

Foram várias as personalidades que ao longo da história contestaram a violência do espetáculo tauromáquico. Em Portugal a contestação foi intensa durante o século XIX e personificada em homens como Passos Manuel, Borges Carneiro, José Feliciano Castilho, António F. Castilho ou Silva Túlio.

Durante o Estado Novo, as touradas beneficiaram de grande impulso em Portugal

A evolução dos valores humanos e o surgimento de uma consciência social para o respeito pelos animais não-humanos colocou os combates com touros à margem da evolução civilizacional.

A sua prática esteve sempre relacionada com setores mais conservadores da sociedade portuguesa e espanhola. Foi durante os regimes absolutistas que as touradas foram propagandeadas na Península Ibérica, com destaque para os reinados de Fernando VII (Espanha) e D. Miguel que em Portugal anulou a Constituição e lançou as sementes para o florescimento do negócio das touradas com o início da criação de touros nas lezírias do Tejo e a construção da nova Praça de touros do Campo Santana em Lisboa. Em Espanha Fernando VII encerrou diversas Universidades e em 1830 fundou a “Universidade Tauromáquica” em Sevilha.

RibatejoA partir de 1919 as touradas foram outra vez proibidas em Portugal com a entrada em vigor do Decreto nº 5650 de 10 de Maio que punia toda a violência exercida sobre animais com pena correccional de 5 a 40 dias em caso de reincidência, mas a partir de 1923 as touradas voltavam a ser propagandeadas durante o Estado Novo, inclusive com touros de morte, e em filmes como “Gado Bravo” (1934), “Severa” (1939), “Sol e Touros” (1949), “Ribatejo” (1949), Sangue Toureiro (1958) … Foi também durante a ditadura que se ergueram grande parte das praças de touros hoje existentes em Portugal: Beja (1947), Póvoa do Varzim (1949), Moita (1950), Almeirim (1954), Montijo (1957), Cascais (1963 – demolida em 2007), Santarém (1964), Coruche (1966),…

Franco e Salazar no Campo Pequeno (Diário de Notícias, 24 de Outubro de 1949)

A “tourada portuguesa” é resultante de décadas de contestação e restrições que levaram ao modelo atual, suavizando a sua crueldade aos olhares do público. A “pega” dos forcados, por exemplo, surgiu já no século XX como a solução de recurso para substituir a “sorte de morte” no final da lide que simboliza o domínio do homem sobre o animal. A “pega” foi importada da “suerte de mancornar” que antigamente se realizava em terras espanholas.

Dossier Movimento
Número de touradas em Portugal (fontes: IGAC/ANTP)

A tendência natural das últimas décadas, nos países onde ainda subsistem as corridas de touros, tem sido claramente no sentido do aumento das restrições ao desenvolvimento desta atividade e a sua abolição, pela violência e risco associados, mas também e principalmente pelo sofrimento e maltrato a que são sujeitos os animais antes, durante e após o espetáculo. Portugal não foge à regra dos outros países onde a tradição se mantém, e as estatísticas indicam claramente que nos últimos anos o número de espetáculos tem vindo a diminuir em resultado de um menor apoio financeiro das autarquias, mas também pelo crescente desinteresse dos cidadãos portugueses pelas touradas.

 

 
 
 
 
 
 
 
Bibliografia:
  • Catálogos Gerais – Direcção de Serviços de Documentação e Informação da Assembleia da República.
  • Gonçalves, Odete. “Touradas e poder político na transição do Sec. XVIII”, Revista História. Março de 2004.
  • Duviols, Jean-Paul, et. al. “Des taureaux et des hommes”, . Paris: Presses Paris Sorbonne, 1999
  • Noronha, Eduardo de. “História das Toiradas”. Lisboa: Comp. Nac. Ed., 1900
  • Saumade, Frédéric. “Las tauromaquias europeas: la forma y la historia, un enfoque antropológico”. Sevilha: Secretariado de Publicaciones de la Universidad de Sevilla, 2006
  • Almeida, Jaime Duarte de. “História da Tauromaquia”. Lisboa: Artis, 1951
  • Ângelo, J. S. Faustino. “História breve da cultura tauromáquica em Portugal”. Alcobaça: Tipografia Alcobacense Limitada, 1983
  • Barreto, Mascarenhas. “Corrida: Breve história da tauromaquia em Portugal”. Lisboa: Ag. Port. Revistas,1970
  • Ximeno, P. José. “Ópusculo sobre los catorce casos reservados y otras tantas excomuniones sinodales”. México: Don Alexandro Valdês, 1816
  • Lisboa. Arquivo Municipal de Lisboa, Chancelaria Régia, Livro XIII de Consultas, Decretos e Avisos de D. José I
  • Carta pastoral de D. João Soares que manda publicar uma bula de Pio V onde se proíbe as corridas de touros. Biblioteca Nacional de Portugal, S.l. : s.n., depois de 1 de Novembro de 1567
  • “Obras del venerable maestro Juan de Ávila “Tomo nono. Madrid: Andrés Ortega, 1760
  • Buiza, Luis Toro.“Sevilla en la história del toreo”. Sevilha: Fundación de Estudios Taurinos, Universidad de Sevilla, 2002
  • Rey, Luis Lozano . “Protección de animales y plantas”. Heraldo Deportivo, no 563. Madrid, 1931
  • Andrade, Vitória Pais Freire de. “A Acção dissolvente das touradas”, Lisboa: Tip. de A Batalha, 1925
  • Machado, Fernão Boto. “Abolição das touradas: projecto de Lei”. Lisboa: Typ. Bayard, 1911
  • Revista Universal Lisbonense, redigido por António Feliciano de Castilho, Tomo II, anno de 1842-1843. Lisboa: Imprensa Nacional, 1843
  • Pelegrín, Santos López. “Filosofia de los toros”. Madrid: Boix, 1842
  • Garrett, Almeida. “Memória Histórica de J. Xavier Mousinho da Silveira”. Lisboa: Imp. da Epocha, 1849
  • Robert W. Malcolmson. “Popular Recreations in English Society 1700-1850”. Cambridge: Cambridge University Press, 1973
  • Strutt, Joseph. “Sports and pastimes of the people of england”, Londres: T. Bensley, 1810
  • “Archivo pittoresco”, Volume 1. Lisboa: Tip. de Castro Irmão., 1858
  • Martínez, Antonio Luis López. “Ganaderías de lidia y ganaderos: historia y economía de los toros de lidia”. Sevilha: Universidad de Sevilla, 2002
  •  Ribeiro, José Silvestre. “Resoluções do Conselho de Estado na secção de contencioso administrativo”. Tomo XIV. Lisboa: Imprensa Nacional, 1868
  •  Intendência Geral da Polícia – Avisos e Portarias. Anno 1820/Agosto. Mç 38
  • Stallaert, Christiane. “Etnogénesis y etnicidad en España: Una aproximación histórico-antropológica al casticismo”. Barcelona: Proyecto A Ediciones, 1998

 

“Lutar com animaes bravos, maltrata-los e feri-los com traças ardilosas ou com destemida temeridade, mas por gosto e sem necessidade, é cousa repugnante e deplorável e que a moral não autoriza, e que muito doi a corações generosos. Semelhantes espectáculos não amenizam os instintos, nem levantam o nível moral de um povo, bem ao revez d’isto só servem para obdurar os ânimos, tolhendo os progressos da sua moralidade e empanando com uma nódoa os brilhos da actual civilização.”

Lisboa: Câmara dos Senhores Deputados, 5 de julho de 1869.

Joaquim Alves Matheus;
José de Aguilar;
Antonio Pereira da Silva;
Augusto da Cunha Eça e Costa;
João Carlos de Assis Pereira de Mello;
Fernando Augusto de Andrade Pimentel e Mello;
Henrique Barros Gomes;
António Joaquim da Veiga Barreira;
José Dionysio de Mello e Faro;
Barão da Ribeira de Pena;
Henrique de Macedo Pereira Continha;
Jose Augusto Correia de Barros;
Francisco Pinto Beata;
Luiz Vicente d’Affonseca;
Henrique Cabral de Noronha e Menezes;
Filippe José Vieira;
José Luiz Vieira de Sá Júnior;
Joaquim Nogueira Soares Vieira.

 

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16 milhões de euros para as touradas

16 milhões de euros para as touradas
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praca touros portugal

A tauromaquia é uma actividade insustentável que sobrevive à custa dos subsídios e diversos apoios públicos, sendo responsável pelo maltrato, sofrimento e morte de milhares de animais todos os anos em Portugal. Longe do seu apogeu, que em Portugal se prolongou até à década de 80, as touradas cativam cada vez menos público em Portugal e Espanha e a tendência mundial indica claramente o progressivo desaparecimento destas práticas.

 580 €

Pagou em 2009 cada família de Vila Fernando (Elvas) por uma praça de touros onde não há registo da realização de espetáculos tauromáquicos licenciados. A localidade tem 316 habitantes (Censos 2011) e a praça tem capacidade para 600 espetadores!

421 €

Pagou em 2009 cada família de Vera Cruz – Portel – por uma praça de touros onde nunca se realizou nenhuma tourada (163€ por habitante).

133 €

Pagou em 2011 cada família de Abiul (Pombal) pelas obras de manutenção da praça de touros local.

Em Espanha as estatísticas indicam que o número de festejos e espetadores tem vindo a conhecer uma redução muito significativa nas últimas décadas. Entre 2007 e 2011 o numero de festejos taurinos diminuiu 37%1. Além disso apenas 8,5% dos espanhois assistiram, pelo menos uma vez, a um festejo tauromáquico2Em Portugal, desde 2009 que o número de espetadores e de espetáculos realizados, tem vindo a diminuir todos os anos. Nos últimos 10 anos o número de touradas diminuiu 30,1%3.

003Um número crescente e maioritário de cidadãos portugueses, não aprova a realização de touradas no século XXI, pela violência associada ao espetáculo e acima de tudo pelo maltrato e sofrimento injustificado de milhares de animais. Não é justo que estes cidadãos tenham que contribuir financeiramente para um espetáculo que está longe de ser consensual na sociedade.

Sem o recurso aos dinheiros públicos atribuídos, principalmente pelas autarquias locais, não seria possível perpetuar a realização de touradas de praça em Portugal. Em Portugal existem cerca de 60 praças de touros que em média recebem 3 espetáculos por ano. Sem o recurso aos apoios públicos é impossível garantir a manutenção destes recintos que na esmagadora maioria dos casos só acolhem corridas de touros.

“Neste momento, e mesmo para uma primeira figura, é difícil viver só dos toiros… E quem disser o contrário, digo-lhe já que não é verdade!”

Luís Rouxinol, Naturales – Correio da tauromaquia Ibérica, 27 Novembro 2012

O apoio das autarquias traduz-se na compra de bilhetes, publicidade, oferta de prémios, aluguer de touros, manutenção e reabilitação das praças de touros, organização de touradas e festejos taurinos populares, subsídios a tertúlias, clubes taurinos grupos de forcados e a escolas de toureio bem como na organização de palestras e colóquios relacionados com as touradas. O apoio disponibilizado pelas autarquias é reconhecido pela indústria taurina como fator importante na manutenção da atividade: “a falta de apoios camarários em muitas praças de 2ª e de 3ª, fizeram diminuir drasticamente esses números”4 referiu António Lúcio num artigo de opinião relacionado com a drástica diminuição do número de touros lidadas em Portugal.

obras praca de touros sto antonio das areias copy

A estimativa atual aponta para uma despesa pública superior a 16 milhões de euros com a tauromaquia em Portugal, verbas provenientes principalmente das autarquias onde se realizam um maior número de eventos. A União Europeia também contribui com o pagamento de ajudas, prémios, subsídios e financiamentos comunitários que abrangem principalmente a criação de bovinos de lide (destinados às touradas) e a construção ou reabilitação de Praças de touros. No caso da criação de bovinos de lide, os apoios/financiamentos que são levados a efeito, relacionam-se com a criação de bovinos na sua generalidade, sem especificação da raça, ou seja, a UE não distingue os bovinos que são destinados à produção de alimentos (leite ou carne) e aqueles que têm como finalidade a obtenção de comportamento para as touradas, o que permite aos Ganadeiros beneficiar destes apoios. Significa que em Portugal, uma grande fatia dos apoios comunitários que deviam ser destinados pelo Ministério da Agricultura para a produção de bens alimentares, são aplicados no apoio à obtenção de comportamento para um evento de mero entretenimento – a tourada. 

Apesar de ser uma raça não-ameaçada, os produtores de bovinos de raça brava foram ainda abrangidos pela “Estratégia para a Conservação e Melhoramento das Raças Autóctones (2007-2013)” com financiamentos diretos aos agricultores e às Associações de Criadores, no caso, a Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide.

Contabilizando os apoios disponíveis aos produtores de bovinos nacionais, o número de efetivos e produtores de bovinos de raça brava em Portugal, bem como os fundos comunitários destinados à construção e reabilitação de praças de touros, conclui-se que quase 7 milhões de euros da União Europeia são canalizados para a tauromaquia.

250.000,00 €

Disponibilizou em 2013 a Câmara de Angra do Heroísmo (Açores) para a organização de 10 eventos taurinos nas festas Sanjoaninas, onde se inclui uma espera de gado bravo para crianças.

As autarquias locais assumem a maior fatia dos apoios disponibilizados para a promoção da tauromaquia. A construção e reabilitação de arenas para a realização de touradas, a compra de bilhetes para oferta, contratação de artistas, a organização de eventos, publicidade e os subsídios aos grupos de forcados, associações taurinas e escolas de toureio totalizam vários milhões de euros anuais.

A estes valores junta-se ainda a despesa pública com a transmissão em direto de touradas e programas dedicados à tauromaquia.

 

“As ajudas públicas mantêm vivo o negócio dos touros”

Toni Martínez, Jornal MásPúblico (Espanha), 3 de agosto de 2012

“A Lide não se sustenta sem ajudas públicas”

Javier Salas, Jornal Público (Espanha), 2 de agosto de 2010

1 Estadística de Asuntos Taurinos 2007 – 2011 – Sintesis de Resultados – Subdirección General de Estadística y Estudios Ministerio de Educación, Cultura y Deporte Noviembre 2012.
Inquérito “Hábitos y Prácticas Culturales en España (2010-2011)”, Ministério da Cultura de Espanha.
IGAC – Relatório da Atividade Tauromáquica 2011, Dezembro de 2011.
“Ganadarias portuguesas lidam e exportam menos toiros”, Barreira de Sombra 10 de Janeiro de 2012

 

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Touradas no Porto: história de uma evolução

Touradas no Porto: história de uma evolução
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À semelhança de qualquer outra localidade da lezíria do Tejo, a cidade do Porto foi igualmente palco de inumeros festejos tauromáquicos durante a idade média, que decorreram com grande fervor nas ruas e praças da invicta até ao século XIX, mas que acabaram por desaparecer com o fim da monarquia pelo desinteresse e repúdio da população portuense em relação ao maltrato injustificado e cruel dos animais.

touradas porto

Real Coliseu Portuense (Rotunda da Boavista)

 

O repúdio dos portuenses pelas touradas levou à falência das empresas tauromáquicas, e no século XIX a atos mais exacerbados que culminaram com a demolição e, em alguns casos, a queima das praças de touros da cidade (casos das praças da Aguardente e da Areosa).

As touradas começaram a perder fulgor no Porto a partir de 1830, altura em que muito se contestava o espetáculo pelo uso e abuso dos animais. Várias tentativas foram feitas nas décadas seguintes para trazer de volta os touros à cidade mas sempre sem sucesso.

Na década de 70 do século XIX assistiu-se a uma súbita edificação de praças de touros por todo o país e uma tentativa de impor à cidade do Porto a tradição das touradas com a construção de 3 praças de touros (Cadouços, Rua da Boavista e Largo da Aguardente). Mas a tentativa resultou num grande insucesso devido ao desinteresse da população. Ramalho Ortigão satirizou o episódio como uma fugaz cópia dos hábitos da capital, considerando-o desgarrado e sem qualquer tradição: “Ao cabo de dois anos ninguém mais voltou aos touros.” Também Pinho Leal deixou registado o seu conformismo com o fracasso da reintrodução das touradas e os gostos dos portuenses “nada depõe contra o gosto e a humanidade dos portuenses”. As 3 praças desapareceram em menos de cinco anos, com fracas receitas e a falência das empresas que as geriam. A imprensa escrita da cidade fazia eco da antipatia e indignação popular em relação às touradas. O Jornal Comércio do Porto em 1870 escrevia nas suas páginas: “Vê-se que infelizmente se porfia no intento de introduzir nesta cidade um divertimento contrário à indole e hábitos dos seus habitantes, porém ainda que o não fosse, nem por isso ele deixaria de ser menos condenável e digno de reprovação” – Comércio do Porto, 26 de janeiro de 1870.

“As touradas tendem a acabar no Porto, com o que nada se perde.” O Comércio do Porto, 21 de setembro de 1897

No final do século XIX foi realizada a última grande ofensiva para tentar ressuscitar a afición dos portuenses com a construção de duas novas praças de touros na cidade – Rotunda da Boavista e Praça da Alegria – a que se juntaram as praças erguidas na Serra do Pilar (V. N. de Gaia), Matosinhos e Granja.

O Real Coliseu Portuense (Rotunda da Boavista) foi a mais imponente e maior praça de touros da cidade do Porto. Acolhia cerca de 8.000 espetadores e possuía 2 restaurantes, camarotes, bancadas, salão de bilhares, cafés e quiosques de venda de jornais, além de dispor de iluminação elétrica. O exeburante redondel foi construido por dois empresários que fizeram fortuna no Brasil, mas 6 anos depois estava ao abandono.

Passado o periodo da curiosidade despertado pela imponência e o exotismo do edifício, o povo do Porto não se rendeu à tentativa de imposição de uma tradição, já na altura considerada anacrónica e sem raizes na região. Os touros e os toureiros eram importados do Ribatejo e Estremadura. Poucos anos depois da inauguração a praça de touros viu-se obrigada a acolher outro tipo de espetáculos como demonstrações de natação e equilibrismo e acabou por ser abandonada e demolida em 1895.

As praças de touros da Serra do Pilar e da Rua da Alegria não tiveram melhor sorte e acabaram por fechar portas. A imprensa dava conta desta realidade, antecipando o evidente desfecho: “De há muito os portuenses têm demonstrado a sua pouca afeição às diversões tauromáquicas. (…) Assim, as touradas tendem a acabar no Porto, com o que nada se perde.” – O Comércio do Porto, 21 de setembro de 1897.

Já no século XX, ainda antes da implantação da República, surgiram duas novas praças de touros no Porto: Areosa e Bessa mas a sua história foi igualmente breve e não existem registos de atividade significativa nestes redondeis. Ainda se tentou erguer uma praça de touros nas Antas, na atual Praça Velasquez, mas o projeto não saíu do papel.

tourada portoA última ofensiva da indústria tauromáquica no Porto ocorreu no início da década de 90 do século XX, com a realização de uma tourada no campo do Lima 5 numa praça improvisada, e mais uma vez a afición não deixou raízes na cidade. Um dos principais diários portuenses da época, “O Primeiro de Janeiro” escreveu no dia seguinte na manchete do jornal: “A arrogância dos organizadores da tourada que ontem se realizou no Porto esteve na origem dos distúrbios entre populares e defensores dos animais, por um lado, e os promotores da iniciativa. A PSP teve de intervir. Uma pessoa saiu ferida da refrega, que até teve a presença provocante, inoportuna e parola do cavaleiro Joaquim Bastinhas.”

Tal como referiu Alberto Pimentel em 1894 “A tauromaquia portuense deu em vasa barris”.

Bibliografia:

  • Real, Manuel Luís, et al. “No tempo das touradas: de esplêndida corrida a tradição repudiada”. Porto: Câmara Municipal do Porto, 2002.
  • Leal, Pinho, “Portugal antigo e moderno”, Mattos Moreira & Cª, 1890.
  • Pimentel, Alberto, “O Porto na berlinda”. Porto: Ernesto Chardron, 1894
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Tourada portuguesa: a crueldade escondida

Tourada portuguesa: a crueldade escondida
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tirar bandarilhas
Retirada das bandarilhas no final da tourada “à portuguesa”.

Em Portugal desde meados do século XX as touradas passaram a realizar-se da forma que hoje as conhecemos, ou seja, numa versão mais suave aos olhos do público, sem que os touros sejam sujeitos à ‘sorte de varas’ protagonizada pelos picadores no início da lide e à ‘sorte de morte’ executada pelos matadores no final.

Muitas vezes a tourada portuguesa, é vista como menos cruel para os animais e até apelidada no entrangeiro de ‘bloodless‘, ou seja, sem sangue, o que não corresponde à verdade.

Sendo certo que o espetáculo se tornou mais agradável aos olhos do público, isso não significou uma redução da crueldade e do sofrimento a que são sujeitos os animais utilizados nas touradas, muito pelo contrário.

 embolasNa verdade, a tourada “à portuguesa” constitui um dos espetáculos legalmente permitidos, mais cruéis em todo o mundo civilizado tendo em conta os processos a que são sujeitos os touros antes e depois da corrida. Poucas horas antes do espetáculo os touros, depois de separados do resto da manada, são imobilizados e com uma serra são-lhe cortados os cornos que depois são revestidos com as chamadas “embolas” de ferro forradas a couro, processo doloroso e stressante para o animal. Depois de terminada a corrida não recebem qualquer tipo de assistência veterinária. Em vez disso, ainda vivos, são novamente imobilizados para que lhes sejam arrancadas as multiplas bandarilhas e ferros que têm espetados no dorso. Para retirar as lâminas é necessário efetuar alguns cortes com uma navalha. Os touros são depois transportados para o matadouro, gravemente feridos, onde aguardam o abate, geralmente à segunda-feira…
Os animais são acondicionados em condições degradantes, dentro de um pequeno contentor do veículo de transporte onde não se conseguem movimentar, nem sequer deitar. São obrigados a permanecer nestas condições até ao momento do abate, sem água nem alimento. Alguns morrem antes de entrar no matadouro.

“É muito mais cruel para um toiro ser corrido a uma quinta-feira, por exemplo, levar os ferros e ficar a sofrer com febres até ao dia de ir para o matadouro, geralmente à segunda-feira, com as feridas já infectadas.”

Luís Ortigão Costa, criador de touros ao Jornal O Mirante, 22 de Março de 2009

A “tourada à portuguesa” é vista pela afición espanhola como um desvirtuamento completo do verdadeiro ritual tauromáquico, uma fraude inaceitável não só pela ausência da “sorte de morte” que culmina a lide, mas também pelo embolamento dos cornos dos touros que é considerada uma farsa em todo o mundo taurino.

Também no nosso país, a “tourada à portuguesa”, inicialmente conhecida como “festa mansa”, não foi muito bem aceite e por vezes criticada de forma veemente pelos próprios aficionados: “A corrida de toiros foi cultivada durante séculos na península. Em Portugal, porém, decaiu a tal ponto que se transformou graças à falta de escrúpulos de certos traficantes da Tauromaquia, nesse espetáculo reles a que os empresários começaram a chamar anti-patrioticamente, a tourada à portuguesa.” escreveu Nizza da Silva no Jornal “Sector 1” em 1933.

A crueldade da tourada “à portuguesa” foi pela primeira vez denunciada numa reportagem publicada em 2004 na Revista “Grande Reportagem”, que conseguiu entrar nos obscuros bastidores de uma praça de touros relatando uma realidade sombria desconhecida da maioria dos cidadãos e que ocorre já depois dos espetadores regressarem as suas casas:

“A corrida terminou às oito da noite e o último touro foi já carregado debaixo dos olhares de muitos curiosos e habilidosos. Confusão, falta de visibilidade, medo. O último touro revoltou-se, guerreou, tentou atingir quem estava por perto. As suas cornadas afectaram os outros animais já carregados, e pouco foi preciso para que todos se enervassem e começassem às cornadas dentro das respetivas cabinas. Os homens gritaram, incitaram-no com o pano pendurado, o touro teimou em não entrar. Até quando lhe deram pequenos choques eléctricos na traseira ele não entrou. E foi aí que entre gritos e confusão recomeçou o mugido longo, o uivo, o chamamento das baleias. Longo e gutural. Quase um lamento.”

Também na sombra, os picadores fazem o seu trabalho em Portugal. Apesar de proibida nas arenas, a “sorte de varas” não foi erradicada do nosso país e continua, de de forma ilegal, a ser prática fundamental para manter o nível artístico das corridas. Todos os anos centenas de animais são ‘picados’ pelas afiadas lanças dos picadores em herdades privadas nas chamadas ‘tentas‘ que servem para selecionar os animais com caraterísticas físicas e morfológicas para participar nas touradas. Uma seleção fundamental para obter animais com um comportamento que permita efetuar as lides artísticas e o triunfo dos toureiros, já que com um comportamento natural, os touros não “colaboravam” com os artistas da mesma forma.

Mais de 2.000 touros são mortos todos os anos em Portugal em consequência da realização de touradas.

“Houve concurso numerosíssimo, em despeito da inclemência do dia – 14 animais atormentados – um dos homens de forcado morto, ou pouco menos, um cavaleiro despejado da sela, dez homens maltratados e escorrendo em sangue – e por sobre isto tudo as gritas de uma multidão selvagem. O espetáculo de morte era presidido e dirigido pela autoridade pública, cuja missão devera ser a de tutelar os mais preciosos tesouros, moral, costumes, sentimentos, civilização.”

José Feliciano de Castilho, Uma Corrida de touros – 1842

tourada portugal basta 02

Fontes:

  • Jornal “O Mirante”, edição de 18 de outubro de 2006.
  • Marta Curto, “As últimas 24 horas da vida de um touro”. Grande Reportagem, 25 de Set. 2004
  • Silva, Nizza da. “Respostas”, O Sector 1, no 13. (17 de Setembro de 1933)
  • Revista Universal Lisbonense, Tomo I, anno de 1841-1842. Lisboa: Imprensa Nacional, 1842.
  • Kossakowski, Juliusz; Bishop, Matthew. “Taking the Face: the portuguese bullfight” [Documentário]. Portugal: Wind Fish Motion Pictures Ltd, 2008. (DVD)
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Dia da Mulher – Vitória Pais Freire de Andrade

Dia da Mulher – Vitória Pais Freire de Andrade
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accao dissolvente touradasNo Dia da Mulher homenageamos uma grande lutadora pela Liberdade, pelos direitos das mulheres e pela abolição das Touradas em Portugal: Vitória Pais Freire de Andrade.

Nos anos 20 encabeçou o movimento pela abolição das touradas em Portugal e foi autora do livro “A acção dissolvente das touradas” publicado em 1925, onde mostrava especial preocupação em relação à exposição das crianças à violência das touradas defendendo a sua abolição. “As touradas, onde se comete a infâmia imprópria dos nossos dias de gozar com o sofrimento de outrem, assim como todos os espetáculos selvagens que as precederam, estão na razão inversa da civilização. Civilizemo-nos devidamente e elas desaparecerão por completo”, escreveu em 1925.

 

vitoria pais freire_touradas

Vitória Pais Freire de Andrade (20-01-1883 – 07-11-1930) Professora, natural de Ponte de Sor, onde nasceu em 1883. A par do seu empenho nas questões pedagógicas e no associativismo docente, evidenciou-se na militância cívica e feminista, tendo aderido à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, à Associação de Propaganda Feminista e ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, de que foi um dos pilares, quer pelos cargos directivos que desempenhou, como pela participação nos Congressos Feministas e Abolicionistas. Preocupada com o bem estar colectivo, reivindicou uma participação social mais activa por parte dos cidadãos, e assumiu-se permanentemente como educadora, tanto no exercício da profissão, como na vida associativa e cívica, sendo muito conceituada entre o professorado primário. Empenhou-se no combate à prostituição e à sua regulamentação pelo Estado, encabeçou o movimento pela extinção das touradas.

Fonte: “Silêncios e Memórias”, Estudos Sobre as Mulheres [sécs. XIX-XX] – http://goo.gl/AHzir

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Causa abolicionista recebida novamente em S. Bento

Causa abolicionista recebida novamente em S. Bento
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Audiência do Movimento “Fim dos dinheiros públicos para as touradas” (Foto: www.portugal.gov.pt)

O dia 19 de fevereiro de 2013 constituiu mais uma marca histórica no processo de abolição das touradas em Portugal. Pela segunda vez consecutiva um movimento abolicionista da tauromaquia foi o mais votado no Portal do Governo sendo recebido em S. Bento,  numa audiência com o Primeiro Ministro.

Inês Real, representante do movimento, foi acompanhada pela Alexandra Moreira e Paula Perez, e entregou a Passos Coelho um extenso e credível dossier sobre os 16 milhões de euros do erário público que são empregues anualmente em Portugal. Ficou demonstrado que esta atividade não poderia sobreviver sem os apoios públicos de que beneficia, principalmente de algumas autarquias locais, que investem milhões de euros na organização de touradas, compra de bilhetes, reabilitação e manutençao de praças de touros, escolas de toureio, subsídios a entidades taurinas, etc…

O Primeiro Ministro recebeu ainda todas as ideias apresentadas pelos participantes na iniciativa “16M ideias”, promovida na sequência deste movimento, e que consistia em apresentar ideias alternativas ao investimento de 16 milhões de euros na tauromaquia.

Na audiência esteve também presente o novo Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.
touradas 16 milhoes correio manha
Jornal “Correio da Manhã”, 19 de Fevereiro de 2013
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Portugueses não querem financiar a tauromaquia

Portugueses não querem financiar a tauromaquia
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ines movimento

O Governo português lançou a II edição da iniciativa “O Meu Movimento” para eleger a causa mais popular em Portugal.

Após vários meses de votações, o movimento “fim dos dinheiros públicos para as touradas” foi o mais votado entre 324 movimentos cívicos diferentes. De realçar que entre os 7 movimentos finalistas nesta iniciativa, 5 estavam relacionados com a causa animal, o que demonstra claramente que a sociedade portuguesa exige maior atenção dos governantes para esta questão. O movimento “fim dos dinheiros públicos para as touradas” denuncia que em Portugal são gastos anualmente cerca de 16 milhões de euros do erário público na promoção/financiamento da tauromaquia.
A representante do movimento, Inês Real, será em breve recebida em audiência pelo Primeiro Ministro de Portugal.

Os subscritores deste Movimento consideram injusto e imoral que os dinheiros públicos sejam utilizados na perpetuação das touradas em Portugal. A realização de touradas em Portugal depende dos subsídios para a criação de touros e de diversos apoios das autarquias. Estes apoios custam anualmente ao Estado português cerca de 16 milhões € que podiam ser utilizados de forma mais útil e saudável.

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João Pedro Pais nunca apoiará as touradas

João Pedro Pais nunca apoiará as touradas
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joao pedro pais 

A imagem do cantor João Pedro Pais circulou recentemente nas redes sociais associada à tauromaquia.

Contactado pela plataforma Basta, o cantor faz questão de esclarecer, para quem possa ter ficado com dúvidas, a sua posição em relação às touradas e à violência contra animais:

“Serei sempre contra o sofrimento dos animais em qualquer parte do mundo! (…) Jamais apoiarei touradas!”

Um grande bem-haja ao João!

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Praça de touros de Bogotá deixa de acolher touradas

Praça de touros de Bogotá deixa de acolher touradas
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santamaria praca touros colombia

A Câmara de Bogotá (Colombia) revogou o contrato de arrendamento da praça de touros da cidade com a empresa privada que a geria, acabando assim com a realização de touradas naquele recinto com capacidade para 14.500 pessoas.

Gustavo Petro, presidente da Câmara de Bogotá, uma cidade com 8 milhões de habitantes, afirmou que os touros de lide não voltarão a pisar a arena da praça de ‘Santamaría’, sendo “substituídos por poetas e escritores”. A praça de touros da cidade so acolherá eventos culturais e desportivos.

A iniciativa está enquadrada na campanha “Bogotá mais humana” desenvolvida pelo município em várias vertentes como o ambiente, direitos humanos e dos animais.

Fonte: Diario El País (Colombia)

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Abolição das touradas eleita a causa mais popular!

Abolição das touradas eleita a causa mais popular!
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movimento touradas
Audiência do movimento pela abolição das touradas com o Primeiro Ministro e o Sec. de Estado da Cultura (foto: Governo de Portugal – www.portugal.gov.pt)

Na passada terça-feira, 8 de Maio, o movimento abolicionista das corridas de touros em Portugal viveu um dia histórico ao ser recebido pelo senhor Primeiro-Ministro na sua residência oficial.

O movimento pela abolição das corridas de touros foi claramente o mais popular numa votação promovida pelo Governo português no início deste ano, e foi por isso recebido pelo Chefe do Governo, Passos Coelho, e pelo Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas.

“Os três representantes do movimento abolicionistas fizeram questão de informar o Primeiro-ministro de Portugal sobre o outro lado das corridas de touros, nomeadamente desmistificando a falsa ideia de que as touradas em Portugal são menos cruéis do que em Espanha.”

Pela primeira vez, a vontade clara da maioria da sociedade portuguesa em abolir definitivamente estes espectáculos foi ouvida pelo poder político português ao mais alto nível, e no final ficou a certeza de que este movimento não se ficará por aqui, já que os abolicionistas conseguiram a abertura do Governo para serem ouvidos na revisão do Regulamento do Espectáculo Tauromáquico que atualmente serve apenas os interesses da indústria tauromáquica, sem proteger as crianças nem tendo em conta as regras de bem-estar animal da União Europeia que Portugal ratificou.

Os três representantes do movimento abolicionistas fizeram questão de informar o Primeiro-ministro de Portugal sobre o outro lado das corridas de touros, nomeadamente desmistificando a falsa ideia de que as touradas em Portugal são menos cruéis do que em Espanha. Os abolicionistas explicaram ao Chefe do Governo que as touradas realizadas em Portugal são dos eventos mais cruéis do mundo, uma vez que os animais, depois de lidados na arena e depois de lhes serem arrancadas as bandarilhas com uma navalha, têm que aguardar vivos, feridos e em intenso sofrimento durante vários dias até serem finalmente abatidos no matadouro. Uma situação deplorável e inaceitável nos dias de hoje que tem sido escondida da opinião pública. Foram ainda realçados muitos outros aspetos de exceção de que esta atividade injustificadamente beneficia.

touradas portugal movimento primeiro ministro

(foto: Governo de Portugal – www.portugal.gov.pt)

 

Esta audiência com o Primeiro-ministro marca o início de uma nova era em Portugal rumo à abolição destes espectáculos que já no século XIX eram considerados “impróprios de uma nação civilizada” e que chegaram a estar proibidos em vários periodos da nossa história.

A sociedade portuguesa, tal como as sociedades dos restantes países onde ainda se realizam corridas de touros, está a evoluir e quer que as touradas sejam abolidas. É tempo de dizer basta, respeitando o público taurino, mas ouvindo finalmente aquela que é a vontade da maioria.

O movimento iniciado com esta iniciativa do Governo terá continuidade no futuro, dando expressão a uma vontade social inequívoca: a abolição das touradas em Portugal.

 

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Bolas em vez de touros

Bolas em vez de touros
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Mataelpino torosA localidade de Mataelpino (Espanha) adaptou-se aos novos tempos e de forma original, substituíu as largadas de touros por um evento semelhante mas muito mais divertido. Nas festas de Mataelpino o touro foi substituído por uma bola gigante de material sintético com três metros de diâmetro.

A localidade, situada a cerca de 50 km de Madrid, celebra em Agosto as suas Festas tradicionais e desde 2010 integra no seu programa o “Boloencierro” que consiste na largada de bolas gigantes pelas ruas da vila que “corre” atrás dos foliões. A ideia partiu de um vizinho da localidade que conta com cerca de 1.600 habitantes e mereceu grande difusão nos orgãos de comunicação social espanhóis pela originalidade e simbolismo do evento.

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