“Dia da tauromaquia” tenta encobrir decadência das touradas.

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  • Touradas perderam quase metade do público e de espetáculos realizados nos últimos 10 anos;
  • Exposição de crianças à violência das touradas já foi condenada pelo Comité dos Direitos da Criança da ONU.

As touradas estão em declínio acentuado em Portugal.

Em 2018 foi alcançado o número mais baixo de sempre de touradas organizadas no nosso país, 173, o que representa uma redução de 44% no número de touradas realizadas nos últimos 10 anos.

A exposição de crianças à violência das touradas já foi condenada pela ONU

O “Dia da tauromaquia”, que vai ser celebrado este sábado, na praça de touros do Campo Pequeno em Lisboa, sucede ao “Bullfest” promovido no ano passado no mesmo espaço e que se revelou um grande fracasso em termos de afluência de público e das expectativas criadas à volta do evento, que pretendia “encher” a praça de touros de Lisboa, algo que esteve muito longe de acontecer.

O evento tem dois objetivos principais: Esconder a decadência evidente do negócio das touradas e contrariar o pronunciamento do Comité dos Direitos da Criança da ONU, que inclui as touradas como uma violação da Convenção dos Direitos da Criança, subscrita por Portugal.

Esconder a decadência do negócio.

O “Dia da tauromaquia” tem por objetivo esconder o evidente declínio das touradas em Portugal, visível não só nos dados estatísticos oficiais, como nas sondagens e na perda de controle do poder político e de patrocinadores.

De acordo com uma sondagem recente realizada pela Universidade Católica, em Maio de 2018, 89% da população de Lisboa nunca assistiu a touradas no Campo Pequeno desde a sua reabertura em 2006. Ainda de acordo com este estudo, 64% dos lisboetas não concordam com a promoção de touradas na praça de touros do Campo Pequeno pela Casa Pia (proprietária do edifício) e 96% da população de Lisboa concorda que o Campo Pequeno receba outro tipo de espetáculos não relacionados com as touradas.

Cativar os jovens para a violência das touradas.

O “Dia da tauromaquia” tem ainda por objetivo, seduzir os mais jovens para a tauromaquia, contrariando o pronunciamento claro do Comité dos Direitos da Criança das Nações Unidas, de fevereiro de 2014, que insta o Estado português a afastar as crianças e jovens da “violência da tauromaquia”, incluindo as touradas no capítulo da “violência contra crianças” (ver relatório em anexo “CRC – Portugal” – Pag. 10).

Desta forma, tentando encobrir uma das mais graves violações da Convenção dos Direitos da Criança no nosso país, a indústria das touradas promove uma série de atividades destinadas às crianças, com o objetivo de seduzir os mais jovens para a tauromaquia.

A exposição de crianças à violência das touradas é um problema muito grave, que preocupa as autoridades portuguesas, devido à violência e sangue inerentes ao espetáculo tauromáquico e aos graves acidentes que dele resultam, com mortes e muitos feridos graves. A legislação atual classifica as touradas para “maiores de 12 anos” e obriga à inclusão de uma advertência na publicidade de que “o espetáculo pode ferir a susceptibilidade dos espectadores“, mas é visível a presença de crianças de todas as idades nas praças de touros. A classificação etária do espetáculo é apenas um aconselhamento do Estado, pelo que a legislação permite a entrada de crianças maiores de 3 anos em touradas, desde que acompanhadas por um adulto.

A realidade, denunciada pela plataforma Basta, demonstra que existem em Portugal cerca de uma dezena de “escolas de toureio” frequentadas por crianças de todas as idades, a quem são ministradas aulas práticas com armas letais, enfrentando bovinos de raça brava em eventos ilegais, arriscando a sua vida e violando o Código do Trabalho que proíbe expressamente a participação de crianças menores de 16 anos em espetáculos que incluam contato com animais que coloquem em risco a segurança das crianças.

A plataforma Basta lamenta que a indústria das touradas, insista na promoção da violência junto das crianças, tentando contrariar o desinteresse dos jovens por esta atividade. Lamentámos ainda a apatia das autoridades portuguesas e do Governo em garantir a salvaguarda do superior interesse das crianças.

A plataforma Basta acompanha a evolução social e continuará a pugnar pelo cumprimento da lei, pela proteção das crianças e dos animais (principais vítimas do espetáculo tauromáquico) e pela abolição das touradas, por serem espetáculos violentos e cruéis para milhares de animais, sujeitos a uma morte lenta e a um tratamento indigno numa sociedade civilizada, onde os maus tratos a animais de companhia já são considerados crime.

As touradas deixaram de ter importância e de seduzir a nossa sociedade e, felizmente, têm os dias contados. Em breve serão mais uma memória do passado.

Basta. Plataforma nacional para a abolição das touradas.
Lisboa, 22 de fevereiro de 2019.

Foto: © Plataforma Basta
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