Crianças nas trincheiras das praças de touros

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Presença de crianças de todas as idades nas trincheiras das praças de touros em Portugal, é um problema muito grave, ignorado pelas autoridades;

Acidente grave na trincheira da Moita, alerta para a violência das touradas;

É urgente tomar medidas que protejam as crianças da violência das touradas.

Crianças na praça de touros do Campo Pequeno (foto © Basta de Touradas)

A plataforma Basta de Touradas lamenta a ocorrência de mais um acidente violento na trincheira de uma praça de touros, no passado dia 12 de setembro na praça de touros da Moita, que resultou num ferido muito grave, o fotógrafo Fernando Clemente, que se encontra hospitalizado depois de ter sido colhido na trincheira por um touro que lhe arrancou o escalpe. 
O acidente de extrema violência foi presenciado por crianças de todas as idades, que se encontravam na praça de touros a assistir a um espetáculo tauromáquico.

A plataforma Basta de Touradas lembra que, apesar do elevado risco e grau de violência deste tipo de espetáculo, continua a ser permitido o ingresso de crianças maiores de 12 anos (ou maiores de 3 anos acompanhados por um adulto) nestes espetáculos, sendo frequente a presença de crianças nas trincheiras das praças de touros por não existir nenhum impedimento legal para que tal não aconteça.

É igualmente frequente a presença de crianças menores de 3 anos nas bancadas das praças de touros, apesar de tal não ser legalmente permitido.

A presença de crianças menores nas trincheiras das praças de touros, constitui um risco acrescido, colocando em risco a saúde e a segurança das crianças e jovens, pelo que este assunto deve preocupar as autoridades nacionais.

Além disso, a exposição das crianças a acidentes deste grau de violência, que infelizmente ocorrem todos os anos em Portugal, deve ser motivo para reflexão sobre o limite mínimo para o ingresso a espetáculos tauromáquicos. O acidente da Moita, que arrancou o escalpe a um fotógrafo, foi presenciado por crianças de todas as idades.
Por este motivo, a plataforma Basta de Touradas, solicita que sejam adotadas medidas urgentes que protejam as crianças e jovens deste tipo de violência, proibindo o ingresso de crianças e jovens menores de 18 anos às trincheiras das praças de touros, e o aumento da classificação etária deste tipo de espetáculo.

A plataforma Basta de Touradas tem denunciado, sistematicamente, a exposição de crianças e jovens à violência da tauromaquia, sem que sejam adotadas medidas eficazes para proteger as crianças e jovens deste tipo de violência, fortemente condenada pelo Comité dos Direitos da Criança das Nações Unidas.

Em fevereiro de 2014, no relatório final de avaliação de Portugal, o Comité decidiu incluir as touradas no capítulo “Violência contra Crianças”, instando o Estado Português a realizar campanhas de sensibilização e a afastar as crianças e jovens da “violência das touradas”.
Com este alerta, para a presença de crianças nas trincheiras das praças de touros, a plataforma Basta de Touradas pretende contribuir para o Cumprimento da Convenção dos Direitos da Criança, e garantir a salvaguarda do bem estar das crianças, o seu interesse superior, a sua integridade física e a sua vida.

A plataforma considera incompreensível, que continuem sem resposta os pedidos de esclarecimento dirigidos à IGAC acerca das circunstâncias em que ocorreram os acidentes que, em 2017, tiraram a vida a dois jovens forcados. Existem fortes suspeitas que os forcados que faleceram nesse ano, não estavam cobertos por seguro. A ser verdade, a IGAC não podia ter licenciado as corridas de touros que resultaram na morte destes dois jovens. Infelizmente, a falta de rigor no cumprimento da lei no licenciamento de espetáculos tauromáquicos, tem levado a acidentes com graves consequências, sem que ninguém seja responsabilizado.

A plataforma Basta de Touradas continuará a pugnar pelo cumprimento da lei, e pos uma fiscalização isenta e eficaz deste tipo de espetáculos, estimando que cerca de 90% dos espetáculos tauromáquicos licenciados este ano pela IGAC, não cumpram com os requisitos legais em matéria de segurança e de bem estar animal.

Plataforma Basta de Touradas.

Lisboa, 25 de setembro de 2019.

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