Cavalos usados nas touradas ignorados pela legislação

Share Button
  • Legislação que regula as touradas ignora a existência dos cavalos;
  • Cavaleiros tauromáquicos desvendam uso de instrumentos cruéis e doping nos cavalos;
  • Abolição das touradas é inevitável e benéfica para os municípios portugueses.

Regulamento ignora cavalos

A plataforma Basta de Touradas lamenta a morte de cavalos na sequência dos espetáculos tauromáquicos realizados em Portugal (touradas e largadas de touros) e alerta o Governo para a necessidade de se incluir estes animais na legislação que regula as touradas enquanto estes espetáculos forem permitidos no nosso país. 

O Regulamento do Espetáculo Tauromáquico (RET) não faz qualquer referência aos cavalos, apesar de estes animais serem um dos principais intervenientes no espetáculo. A legislação prevê apenas algumas medidas de bem-estar animal para os touros, tentando minimizar o sofrimento destes animais, antes e após as touradas.

Não estão previstas quaisquer medidas de bem-estar, nem regras para o alojamento, transporte e assistência veterinária às centenas de cavalos que todos os anos são forçados a entrar nas arenas e enfrentar touros com cerca de 500 kg. Também não está prevista a assistência veterinária em caso de acidente, ficando o tratamento e destino dos animais nas mãos dos cavaleiros tauromáquicos.

Quem decidiu abater o cavalo de João Moura Jr.?

No caso dos incidentes de Coruche, existem muitas perguntas sem resposta que a plataforma Basta de Touradas gostava de ver esclarecidas, nomeadamente: se os Delegados Técnicos Tauromáquicos presentes na praça de touros, incluíram no relatório da corrida entregue à Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC), os dados referentes aos acidentes ocorridos, se o cavalo Xeque-Mate do cavaleiro João Moura Jr. foi assistido pelo Médico Veterinário, quem tomou a decisão de abater o animal e se a enfermaria da praça de touros estava devidamente equipada como determina o Regulamento?

A plataforma Basta de Touradas, durante a revisão do RET em 2014, apresentou várias propostas à tutela para minimizar o sofrimento destes animais, que foram ignoradas e excluídas da legislação. Não se compreende a falta de vontade do Estado e da indústria tauromáquica em regular a forma como os cavalos são tratados nas touradas, sucedendo-se os episódios de cavalos colhidos, e alguns mortos na sequência destes espetáculos.

Cavalos são forçados a enfrentar touros com recurso a instrumentos cruéis e medicamentos

Em abril de 2016, durante um colóquio na praça de touros do Campo Pequeno, os cavaleiros tauromáquicos João Salgueiro e Duarte Pinto assumiram a existência de doping nos cavalos de toureio, bem como o uso de instrumentos cruéis como as “gamarras” e as “serretas“.

A morte do cavalo de João Moura Jr. é apenas mais um episódio de violência nas arenas portuguesas, a que se juntam dezenas de outros nos últimos anos, com feridos e mortos, em episódios de extrema violência presenciados por crianças de todas as idades.

Aos espetáculos realizados em praças de touros fixas e desmontáveis, licenciados pela IGAC, juntam-se dezenas de eventos ilegais, como “demonstrações de toureio“, “festas camperas“, etc. onde o problema é ainda mais grave, porque não existem condições de segurança, de assistência médica nem médico-veterinária.

Touradas não podem continuar a ser exceção, e a abolição beneficia os municípios

O espectáculo tauromáquico não pode continuar a ser uma exceção, em matérias tão importantes como o bem-estar animal, a segurança e o combate à violência. É preciso que as autoridades atuem, fiscalizem e punam as irregularidades no setor tauromáquico.

A plataforma Basta de Touradas continuará a pugnar pelo cumprimento da lei e pelo fim das regalias para as touradas. O fim destes espetáculos de violência e crueldade com os animais está cada vez mais próximo, e é uma inevitabilidade numa sociedade onde a compaixão e o respeito pelos animais é cada vez maior.

Os casos de Viana do Castelo e Póvoa de Varzim mostram que o fim das touradas e a reconversão das praças de touros, contribuem para o desenvolvimento local. Estas duas praças estavam encerradas o ano inteiro, abrindo as portas apenas duas vezes por ano para a realização de touradas, não criando quaisquer empregos na região. Com a reabilitação, os edifícios estarão abertos todo o ano e serão criados dezenas de postos de trabalho, demonstrando como é possível e viável a abolição definitiva das touradas em Portugal, ao contrário do que refere a indústria tauromáquica.

Share Button

Comentários

comentários