Padre açoriano contra a realização de touradas

Padre açoriano contra a realização de touradas
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O pároco de Fenais da Luz, Ricardo Tavares, manifestou o seu desacordo com a realização de uma tourada, junto da Comissão de Festas do Senhor bom Jesus dos Aflitos, por considerar a tourada “uma prática anti-cristã, que já foi várias vezes condenada pelos Papas”.

Enquanto eu for pároco, não haverá lugar a violência contra animais, nem touradas nem bezerradas 

A opinião do Padre foi ignorada pela Comissão que realizou o evento que contou com uma participação reduzida da população. Na sequência deste episódio e de outros de “desobediência aos ditames da Igreja”, a Comissão de Festas foi demitida pela Diocese e substituída por outra, terminando assim sete anos de touradas em Fenais da Luz, uma freguesia do concelho de Ponta Delgada (Açores). O pároco de Fenais da Luz afirmou, através das redes sociais que “enquanto eu for pároco, não haverá lugar a violência contra animais, nem touradas nem bezerradas. Porque quando há maus-tratos a animais haverá sempre violência contra pessoas…” e lembra a última encíclica do Papa Francisco “Laudato Si”, onde os maus tratos aos animais são condenados pelo responsável máximo da Igreja.

O Padre Ricardo Tavares vai mais longe, lembrando os custos na organização deste tipo de eventos, suportados pelo erário público e cujas verbas devem ser canalizadas para outro tipo de iniciativas mais saudáveis e úteis: “A tourada é uma prática sádica, na qual as pessoas se divertem à custa do medo e do pânico do toiro, além de ser uma actividade bárbara, anti-civilizacional e dispendiosa, que queima verbas que podiam muito bem ser canalizadas para uma acção social ou até para o restauro da Igreja”.

A Plataforma Basta saúda a atitude do Padre, que constituiu um exemplo para outros párocos. Em Portugal vários eventos tauromáquicos continuam associados a festividades religiosas, apesar do afastamento progressivo da Igreja em relação às touradas, de que é exemplo o fim da corrida de touros promovida anualmente pela Rádio Renascença.

parde ricardo tavares

foto: P. Ricardo Tavares (D.R. Facebook)
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Responsáveis pelo filme “Blancanieves” sancionados pela morte de 9 novilhos

Responsáveis pelo filme “Blancanieves” sancionados pela morte de 9 novilhos
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O Tribunal Superior de Justiça de Madrid ordenou a “Comunidade de Madrid” a iniciar um expediente sancionador aos responsáveis pelo filme “Blancanieves” pela morte de 9 touros durante as rodagens da pelicula na praça de touros de Aranjuez.

A denúncia deste caso partiu da “Asociación Estrategia Animalista – Plataforma La Tortura No Es Cultura” em julho de 2011. A Associação gravou imagens que demonstram que durante a rodagem do filme, foram agredidos e mortos nove animais (bovinos de raça de lide) na praça de touros de Aranjuez, em clara violação da legislação. Em outubro do mesmo ano, o processo foi arquivado depois de uma resolução do Sub-Diretor Geral dos Recursos Agrários da Comunidade de Madrid, reforçada através de resolução do Diretor Geral do Meio Ambiente. No entanto, o Tribunal Superior de Justiça de Madrid obrigou agora a Comunidade de Madrid a iniciar um expediente sancionador aos responsáveis pelo filme, devido à morte de nove novilhos durante as filmagens na praça de touros de Aranjuez, sem a devida autorização para realizar um espetáculo público, ou seja, um evento tauromáquico. A sentença, de 31 de outubro, anula a decisão da Comunidade de Madrid em arquivar a denúncia.

“Blancanieves” é um filme espanhol de 2012, dirigida por Pablo Berger, que apresenta imagens relacionadas com a tauromaquia. O filme foi apresentado no Festival Internacional de Cinema de de San Sebastián e selecionado para os Óscares em 2013, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Fonte: www.eldiario.es/caballodenietzsche

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Touradas: Youtube proibe imagens violentas e sangrentas

Touradas: Youtube proibe imagens violentas e sangrentas
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youtube touradas

O popular canal de videos Youtube mantem-se firme na intenção de impedir a publicação online de conteúdos que promovam a crueldade com os animais, onde inclui as touradas. O Youtube coloca assim as touradas ao lado do consumo de drogas e o fabrico de bombas nas regras da sua comunidade. As regras incluem a advertência: “Não publique vídeos que mostrem comportamentos incorrectos, como maus tratos a animais, consumo de drogas ou fabrico de bombas”.

O Youtube proibe imagens que promovam a crueldade com os animais, onde inclui as touradas

Perante as denúncias de imagens violentas e sangrentas de touradas que proliferam no serviço, os responsáveis pelo Youtube, eliminam o conteúdo se este incluír imagens de touros ou cavalos a sangrar, e/ou a ser agredidos pelos toureiros. Em março deste ano, o jornal espanhol “El Mundo”, noticiou o encerramente do maior canal tauromáquico no Youtube, da responsabilidade de Pablo Lopez, onde se encontravam alojadas milhares de imagens de touradas. Os responsáveis pelo Youtube referiram ao jornal espanhol que “A Companhia está no seu direito de retirar qualquer video que não cumpra os termos e condições do serviço”. Na tentativa de pressionar o Youtube a recuar na eliminação deste canal taurino, foi criada uma petição na internet, que em mais de 8 meses, conseguiu pouco mais de 5.000 assinaturas.

Fonte: El Mundo

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“Oliveira da Serra” não patrocina tourada em Vila Boim

“Oliveira da Serra” não patrocina tourada em Vila Boim
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Imagem: facebook.com/ReceitasOliveiradaSerra

O Departamento de Marketing e Comunicação do Grupo Sovena contactou hoje a coordenação da Plataforma Cívica Basta para esclarecer que a marca "Oliveira da Serra" foi indevidamente associada a uma tourada a realizar em Vila Boim no próximo dia 12 de Outubro, deixando claro que não patrocina a tourada.

A Basta solicitou esclarecimentos à empresa na semana passada depois de ser contactada por inúmeros cidadãos indignados com o alegado patrocínio da "Oliveira da Serra" a uma tourada anunciada publicamente para a localidade de Vila Boim no município de Elvas. A publicidade ao evento tauromáquico exibe o logotipo da marca como "patrocinador" da tourada, situação desmentida prontamente pela empresa.

A Basta congratula-se com o esclarecimento prestado e com o facto de um número crescente de empresas rejeitar a associação das suas marcas a eventos onde os animais são sujeitos a actos de crueldade, como é o caso das touradas, posições que vêm ao encontro dos valores de responsabilidade social que norteiam estas instituições.

Recorde-se que, só no último ano, empresas como a Bosch, Heineken, Minipreço e Licor Beirão assumiram posições onde se demarcam das touradas, rejeitando patrocinar a tauromaquia.

VILA BOIM 12 OUTUBRO copy

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A indústria tauromáquica em Portugal. Regalias e exceções.

A indústria tauromáquica em Portugal. Regalias e exceções.
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sergio-caetano-bastaPara um número crescente de cidadãos portugueses é cada vez mais difícil entender como se pode perpetuar nos nossos dias a anacrónica tradição das touradas.

Para perceber como as práticas tauromáquicas se mantiveram durante tantos anos na nossa sociedade, é fundamental conhecer a indústria que delas se alimenta, e forma como este pequeno grupo se movimenta nos corredores do poder e as regalias e privilégios que discretamente souberam alcançar para manter vivo o negócio que, hoje em dia, depende em grande medida dos fundos públicos para conseguir sobreviver.

As touradas em Portugal constituem desde logo uma exceção na proteção que foi concedida aos animais em Portugal. Um estatuto que permitiu legalizar esta atividade numa época em que é assumido pela nossa sociedade que os animais não são ‘bestas’ como em tempos foram considerados.

Mas são muitas as regalias concedidas à tauromaquia em Portugal.

Um dos casos mais recentes passou praticamente desconhecido na opinião pública, mas foi sem dúvida determinante para manter a realização de touradas no nosso país sendo igualmente bastante elucidativo em relação ao carácter de exceção de que beneficia o pequeno lobbie tauromáquico.

No final da década de 90 o negócio das touradas esteve seriamente ameaçado em Portugal pela conjugação de vários fatores que colocaram em risco a sua sobrevivência: as doenças que afetaram o gado bovino (BSE, língua azul e febre aftosa), a que se seguiu o encerramento do Campo Pequeno em Lisboa.

A tudo isto conseguiu sobreviver o negócio tauromáquico, mesmo com as apertadas restrições por parte da União Europeia e a proibição da realização das touradas em Portugal em 2001. O lobbie taurino rapidamente conseguiu anular a proibição decretada e as touradas alcançavam mais uma vez o estatuto de exceção.

Vejamos a cronologia dos acontecimentos:

18 de novembro de 1998

É decretado o embargo provisório à exportação de bovinos pela União Europeia (Decisão nº 98/653/CE, de 18 de Novembro) no âmbito das medidas de emergência em matéria de proteção contra a encefalopatia espongiforme bovina (BSE). Esta medida afetou seriamente, a partir desse ano, a exportação de touros de lide* portugueses para Espanha e França (negócio muito mais rentável do que o aluguer de touros para as corridas em Portugal).

* Raça bovina criada especificamente para produzir comportamento para as touradas.

3 de dezembro de 1998

Apesar do risco que a situação acarretava para a saúde pública (tendo em conta que a carne dos touros lidados nas praças portuguesas entra na cadeia alimentar humana) o eurodeputado socialista José Barros Moura entendeu questionar a Comissão Europeia sobre as “consequências do embargo nas exportações de touros de lide”: “Considerando o embargo provisório decretado pela Comissão, pode esta indicar quais as suas implicações nas exportações de touros para touradas, de Portugal para Espanha? Também estão abrangidos? Em caso afirmativo, por que razão, tendo em conta que não se destinam, prioritariamente, à alimentação humana?”.

22 de janeiro de 1999

Franz Fischler respondeu em nome da Comissão, confirmando que os touros de lide estavam abrangidos pela proibição, devido aos evidentes riscos para a saúde pública pelo facto da carne destes animais também entrar na cadeia alimentar humana “(…) A proibição de expedição de bovinos vivos resulta do risco de expedir animais que estejam a incubar a doença mas que ainda não apresentem sintomas. Uma vez abatidos, estes animais poderiam entrar nas cadeias alimentares humana ou animal nos Estados-membros para onde tivessem sido expedidos. Os touros de lide não estão isentos dessa proibição porque, até agora uma vez mortos, são quer transformados em conjunto com outros animais mortos, quer consumidos por pessoas. Portanto, apesar de se destinarem principalmente a ser lidados, acabarão por entrar nas cadeias alimentares humana ou animal.”.

Franz Fischler e Joao de Deus Pinheiro.Franz Fischler com Joao de Deus Pinheiro.

17 de março de 1999

Apenas dois meses após as declarações de Franz Fischler, os criadores de bovinos de raça brava conseguiram “furar” o embargo alcançando uma surpreendente autorização especial, que lhes permitiu comercializar os animais mediante determinadas condições técnicas e de controlo, através do Decreto-Lei nº 42/2000 de 17 de março: “Em derrogação do disposto no artigo 1, n.º1, a Direção-Geral de Veterinária pode autorizar a expedição para outros Estados membros ou a exportação para países terceiros de touros de lide ou dos materiais referidos naquela disposição, desde que seja garantido o cumprimento dos condicionalismos definidos pela Decisão n.o 98/653/CE, da Comissão, de 18 de novembro de 1998, na sua atual redacção, que lhe foi dada pela Decisão n.o 1999/713/CE, da Comissão, de 21 de outubro de 1999.”

24 de dezembro de 1999

Não satisfeita com as regalias concedidas, a indústria tauromáquica ainda conseguiu que o Governo português atribuísse uma compensação financeira aos ganadeiros tauromáquicos pelos alegados prejuízos resultantes das imposições da Comunidade Europeia, concedendo uma linha de crédito especificamente para aos criadores de touros de lide através do Decreto-lei no 572/99 de 24 de dezembro: “(…) As empresas criadoras de toiros de lide, face a tal decisão, têm sido impedidas de vender os seus animais nos mercados tradicionais, obrigando à sua retenção nas explorações. Em consequência, têm-se verificado impactes negativos no seu volume de vendas, gerando-se dificuldades de tesouraria, que importa superar através da criação de condições que permitam às empresas criadoras de toiros de lide aceder ao crédito em condições favoráveis no presente ano.”.

O montante máximo de crédito a conceder aos beneficiários foi de 500 contos (cerca de 2.500 euros) por animal do sexo masculino com idade superior a 36 meses. Os empréstimos beneficiaram ainda de uma bonificação de 60% da taxa de referência para cálculo de bonificações processadas e pagas pelo IFADAP.

17 de março de 2000

Foi publicado em Portugal o Decreto-Lei no 42/2000 que altera a legislação nacional no sentido de permitir que a Direção-Geral de Veterinária (DGV) possa autorizar a expedição para outros Estados membros ou a exportação para países terceiros de touros de lide cumprindo os condicionalismos impostos pela Comissão Europeia.

7 de fevereiro de 2001

Apesar das regalias concedidas, 13 criadores de touros de lide, recorreram em 1999 ao Tribunal de Justiça Europeu, com o apoio do Governo português, para que a sua atividade fosse considerada uma exceção em relação aos restantes criadores e exportadores de bovinos. O Tribunal de Primeira Instância pronunciou-se em fevereiro de 2001 negando determinantemente essa pretensão. O Tribunal entendeu que não havia motivos para que os criadores de bovinos de raça brava fossem considerados uma exceção em relação aos outros criadores nacionais, acrescentando que o facto de os touros criados por exportadores se destinarem a serem lidados em certames culturais ou desportivos, de a exportação e o transporte destes animais estarem sujeitos a regras específicas que garantem um controlo rigoroso de todos os animais exportados e de esses exportadores estarem inscritos nos livros genealógicos dos touros de lide, não constituía uma situação particular que os distinguisse em relação a qualquer outro criador ou exportador de bovinos afetado pela proibição de expedição estabelecida.

15 de março de 2001

A situação das corridas de touros em Portugal tornava-se bem mais grave em março de 2001, nas vésperas do início de mais uma temporada tauromáquica, quando a Direção-Geral de Veterinária (DGV) proíbiu a realização de qualquer concentração ou espetáculo de animais no país, como touradas, chegas de bois, feiras, concursos pecuários e corridas de cavalos, por tempo indeterminado, no âmbito da política de proteção e prevenção contra o surto de febre aftosa que alastrava de forma preocupante, infetando milhares de animais em vários países. A decisão deixou em pânico a indústria das touradas (uma vez que esteve em causa a realização da época tauromáquica), principalmente os ganadeiros que depois das proibições de exportação de touros de lide se viam proibidos de comercializar os animais internamente. Vasco Lucas, secretário técnico da Associação Portuguesa de Criadores de Touros de Lide inconformado referiu ao Jornal Público que “a praça de touros é a antecâmara dos matadouros. Se o trânsito para abate, ou seja o transporte do animal da exploração para o matadouro, é permitido, não percebo porque é que os animais não podem seguir primeiro para a arena e depois para o matadouro.”. Por sua vez o Sindicato dos Toureiros anunciou que “ia propor ao Governo, numa reunião agendada para esta semana, várias medidas que possibilitem um ‘regime de exceção’ para as touradas”.

27 de março de 2001

Assim foi. A Direção-Geral de Veterinária voltou atrás autorizando a realização de corridas de touros em Portugal – doze dias após a decisão de as proibir – através de um Edital assinado pelo Diretor Geral, Francisco Carmo Reis*. O documento continuava a proibir a circulação de animais de espécies sensíveis à Febre Aftosa, mas abriu a exceção aos animais destinados ao matadouro ou às praça de touros, desde que devidamente autorizados pelas autoridades competentes.

* Francisco Reis demitiu-se do cargo em 2003 na sequência de um processo disciplinar por suspeitas de favorecimento pessoal. Mais tarde foi acusado de abuso de poder pelo Ministério Público.

4 de abril de 2001

Dois empresários tauromáquicos – Carlos Pegado e João Duarte – assinaram na qualidade de representantes dos empresários das Praças de Touros portuguesas, um acordo com a DGV para definir as regras e os condicionalismos da excecional realização de corridas de touros em Portugal que permitiu que nesse ano (2001) se realizassem 359 corridas de touros em Portugal, praticamente as mesmo que no ano anterior (360).

Decidi redigir este artigo e divulgar estes factos, depois de ver uma fotografia da atual Presidente da Direção do Grupo Tauromáquico “Sector 1” na praça de touros da Moita no início deste mês de setembro, posando ao lado de uma bandeira onde se faz a apologia da morte de animais nas arenas. A fotografia pode parecer banal, das muitas que ilustram os blogues tauromáquicos na internet, mas se recuarmos apenas dois anos vemos que não é.

Patricia Sardinha_9set2013 Moita

foto publicada em “Diário Taurino”

O designado “Sector 1” é uma associação nascida nos anos 30, no tempo em que Portugal era uma ditadura, com o objetivo de restabelecer em Portugal as touradas de morte e numa altura em que começava a surgir a expressão “tourada à portuguesa”. Uma modalidade onde participam cavaleiros e forcados, com a morte do animal no matadouro e não na arena, que apareceu como solução de recurso para evitar a abolição das touradas no nosso país mas que não agradou aos mais fiéis aficionados. Escrevia-se assim no jornal oficial do “Sector 1” em 17 de setembro de 1933: “Porque razão caiu em uso chamar – corridas à portuguesa – às corridas de toiros embolados que não morrem na praça? Não foram os toiros em Portugal sempre lidados em hastes limpas e mortos no fim da lide até há umas escassas dezenas de anos? Não seria mais acertado chamar-lhes antes – toiradas à portuguesa adulteradas?”. No mesmo Jornal oficial do “Grupo Tauromáquico Sector 1”, a tourada “à portuguesa” era apelidade de “reles” e considerada impura: “A corrida de toiros em Portugal, decaiu a tal ponto que se transformou graças à falta de escrúpulos de certos traficantes da tauromaquia nesse espetáculo reles a que os empresários começaram a chamar anti-patrioticamente, a tourada à portuguesa.”.

A morte dos animais nas arenas das praças de touros esteve – desde a sua fundação – nos estatutos deste influente Grupo tauromáquico, mas em 2011 tudo mudou.

Nesse ano, a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, publicou, através do seu Gabinete, um Despacho onde se anunciava a inclusão do “Sector 1” na “Secção Especializada de Tauromaquia” do Conselho Nacional de Cultura com base na justificação que o “Sector 1” tinha (estranhamente) abdicado da luta pelos touros de morte, aquela que foi desde sempre a razão da sua existência: “Recentemente, e no âmbito de uma reestruturação, o grupo tauromáquico «Sector 1» adequou os respetivos estatutos à legislação em vigor, tendo abolido todas as referências a toiros de morte, o que constitui um sinal claro de participação cívica e de vontade em dignificar o espetáculo tauromáquico no estrito cumprimento do regime legal em vigor.”.

Por isso a fotografia da Presidente do “Sector 1” fazendo a apologia dos “touros de morte” na Moita é mais uma demonstração da “dignidade” e do “civismo” que está subjacente a este pequeno grupo que insiste em contrariar a evolução civilizacional da nossa sociedade à custa de regalias injustas e muitas vezes injustificadas.

A dependência dos apoios e subsídios do erário público, e das regalias concedidas pelo poder político, são já sinais de que as touradas estão condenadas a desaparecer, por serem uma atividade que deixou de ser sustentável economicamente, porque moralmente já o deixaram de ser há muitos anos.

Fontes:

Ministério da Cultura, Gabinete da Ministra, Despacho nº 441/2011

Jornal O Sector 1, Ano I, nº 13, 17 de Setembro de 1933.

Pergunta escrita (E-3620/98) apresentada por José Barros Moura (PSE) à Comissão, 3 de Dezembro de 1998 – Jornal Oficial das Comunidades Europeias, 6 de Novembro de 1999

Pergunta escrita (E-3620/98) Resposta dada por Franz Fischler em nome da Comissão, 22 de Janeiro de 1999 – Jornal Oficial das Comunidades Europeias, 6 de Novembro de 1999

Decreto-Lei n.o 42/2000 de 17 de Março.

Decreto-Lei no 572/99 de 24 de Dezembro.

Febre aftosa: Proibição de touradas afecta mais de 1500 famílias”. Público, 16 de Março de 2001.

Direcção-Geral de Veterinária, Edital no 8/2001: Febre Aftosa. Direcção Geral de Veterinária, Lisboa, 27 de Março de 2001 Protocolo de derrogação ao disposto no no 8 do Edital no 8/2001 – DGV: Febre Aftosa. Direcção-Geral de Veterinária, Lisboa, 4 de Abril de 2001.

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“Minipreço” não patrocina mais touradas

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foto: www.minipreco.pt

O Departamento de Comunicação do “Minipreço”, cadeia de supermercados do “Grupo Dia, Distribuidora Internacional de Alimentação”, informou a plataforma cívica “Basta” que a sua imagem foi utilizada indevidamente como alegado patrocinador de um evento tauromáquico em Bencatel (Distrito de Évora). A empresa acrescenta que “o Minipreço não se associa a questões que envolvam a violação dos Direitos dos Animais, mesmo que de tradição cultural, como a tourada. O caso que nos relatou foi devido a um patrocínio de franchising não tendo havido conhecimento nem autorização central do mesmo. Gostaríamos, no entanto, de informar que devido ao seu contacto, já efectuámos todas as diligências para que nenhum tipo de patrocínio volte a suceder, sendo claro que o Minipreço não se associa a nenhum evento que implique a violação de quaisquer tipo de Direitos.”.

A plataforma cívica “Basta” congratula-se com o esclarecimento prestado pela empresa depois das dúvidas em relação ao alegado apoio da marca “Minipreço” a eventos que implicam a lide e maltrato de animais com a agravante de, neste caso específico, incluírem a participação de alguns menores.

Esta tomada de posição do “Minipreço” surge poucos dias após a multinacional “Heineken” também ter informado do uso abusivo da marca na publicidade a uma tourada em Espanha: “A Heineken não apoia este evento nem apoiamos nenhum outro relacionado com as touradas”, referiu a empresa em comunicado.

Já em 2012, o Grupo Bosch anunciou que “jamais apoiará touradas” após ser informado pela “Basta.” que o seu logotipo estava a ser utilizado na publicidade às touradas na cidade de Albufeira.

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Heineken anuncia que não apoia touradas

Heineken anuncia que não apoia touradas
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O Grupo Heineken anunciou publicamente que não patrocina eventos tauromáquicos. A comunicação da empresa surgiu depois da polémica gerada com o alegado patrocínio da marca de cerveja a uma Feira Taurina nas Festas da “Virgen de la Peña” em Tordesilha (Espanha).

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Uso abusivo da marca Heineken na publicidade às touradas em Espanha

Fortemente criticada pelos consumidores, a Heineken esclarece que o logotipo da marca foi utilizado de forma abusiva na promoção dos festejos taurinos, exigindo a sua retirada imediata de toda a publicidade ao evento. O anúncio foi feito nas redes sociais e também na página web da marca.

“A Heineken não apoia este evento nem apoiamos nenhum outro relacionado com as touradas”

O Grupo Heineken faz ainda questão de incentivar os consumidores a denunciar outros casos em que a sua imagem seja associada a este tipo de eventos: “Queremos agradecer aos nossos consumidores por nos informar de imediato sobre este assunto. Incentivamos os nossos consumidores a continuar a utilizar as redes sociais para nos alertar sobre qualquer situação em que sintam que a nossa marca está a ser mal utilizada, que que assim possamos adoptar as medidas adequadas.”

A Heineken junta-se assim a dezenas de marcas que nos últimos anos fazem questão de se distanciar da tauromaquia. Recorde-se que no ano passado o Grupo Bosch anunciou que “jamais apoiará touradas” após ser informado pela “Basta” que o seu logotipo estava a ser utilizado na publicidade às touradas na cidade de Albufeira.

 

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Bosch anuncia que ‘jamais apoiará touradas’

Bosch anuncia que ‘jamais apoiará touradas’
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bosch_touradasO logotipo do Grupo foi usado de forma abusiva na promoção das touradas em Albufeira.
Os folhetos de promoção às corridas de touros realizadas na praça de Albufeira, distribuídos publicamente, apresentavam o simbolo da conceituada empresa Bosch. A estranha situação (uma vez que há muito que as grandes marcas internacionais se recusam a associar a sua imagem a eventos sangrentos e que implicam a violência e o sofrimento de animais), foi comunicada ao grupo Bosch na Alemanha e motivou uma imediata reacção e esclarecimento da empresa, que se desmarca totalmente da promoção das touradas:
“O fundador do Grupo, Robert Bosch, tornou a responsabilidade social um valor fundamental da sua empresa, e hoje em dia este valor é promovido em todas as localizações Bosch no mundo. Desta forma, a Bosch não é, nunca foi e nunca será a favor deste tipo de evento.​
Após averiguarmos a situação, descobrimos que a tourada foi apoiada por uma oficina que pertence a um conceito de Módulos da Bosch, que é um programa de certificação técnica. Estes senhores violaram o acordo assinado connosco e utilizaram indevidamente o logótipo da nossa empresa. Por isso, estão a ser tomadas medidas legais para evitar novo abuso da marca.”
A postura da Bosch demonstra o quanto a prática da tauromaquia é malvista e condenada a nível internacional.

 

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João Pedro Pais nunca apoiará as touradas

João Pedro Pais nunca apoiará as touradas
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joao pedro pais 

A imagem do cantor João Pedro Pais circulou recentemente nas redes sociais associada à tauromaquia.

Contactado pela plataforma Basta, o cantor faz questão de esclarecer, para quem possa ter ficado com dúvidas, a sua posição em relação às touradas e à violência contra animais:

“Serei sempre contra o sofrimento dos animais em qualquer parte do mundo! (…) Jamais apoiarei touradas!”

Um grande bem-haja ao João!

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