Porquê a Plataforma Basta?

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Manuel Eduardo dos Santos, biólogo e professor universitário.

 

Criámos a Plataforma Basta para resolver um problema difícil da Sociedade Portuguesa: é preciso acelerar o fim das touradas no nosso País.

Muitos portugueses preferem ignorar a tauromaquia, ou não lhe prestar atenção, confiando que esta atividade desapareça naturalmente com a evolução das mentalidades.

Sabemos que não será assim tão simples. A tauromaquia inclui práticas muito enraizadas, sobretudo em alguns meios rurais onde ainda tem importância socio-cultural.

Há dinheiros envolvidos, e indivíduos que beneficiam de elevados subsídios encapotados a este negócio, e que não os vão querer perder.

Há gente genuinamente apaixonada pela tauromaquia, que cresceu neste mundo e que se afirma socialmente através das suas atuações tauromáquicas.

Há comunidades que usam a tauromaquia para se reunir e comungar de um interesse comum, em contextos onde as pessoas colaboram e socializam à volta dos eventos tauromáquicos.

Há meios de comunicação controlados por dirigentes que impedem a divulgação de informações prejudiciais à tauromaquia e que tentam promover o seu brilho e a sua “normalidade” como atividade artística.

Há políticos que usam o argumento da tradição e do interesse popular para canalizar os recursos públicos e captar apoios. E há políticos com medo de perder posição devido aos lobbies conservadores da tauromaquia. Tudo mudará quando perceberem que as touradas são coisa do passado por vontade dos portugueses.

Vamos reunir vontades, ideias, provas e informações e vamos inviabilizar a tauromaquia em Portugal

A tauromaquia em Portugal tem de facto a sua história, a sua arte, os seus rituais e a sua técnica. Pode ser bem feita ou mal feita. É preciso dedicação, treino e coragem para a praticar, e uma boa dose de sorte para sobreviver sem mazelas. São ingredientes infalíveis para uma modalidade com estrelas e sucessos, dramas e fiascos.

Mas então, se as touradas tiveram a sua importância histórica, se podem ter valor artístico para algumas pessoas, se são eventos festivos em algumas regiões do interior, porque trabalhamos para a sua abolição? Somos alguns desmancha-prazeres?

Infelizmente é mais grave do que isso, porque nestas lides há vítimas que estão em severa desvantagem, e que não se podem recusar a participar na “Festa”. A sua desorientação e as suas reações são explorados sem dó nem piedade para divertimento de pessoas que já deviam, em pleno século XXI, ter outra capacidade de empatia com outros seres. Noutros tempos poucos se colocavam no lugar das vítimas, mas hoje já não podemos “olhar para o lado” e aceitar que aconteçam no nosso País espectáculos baseados no abuso dos animais.

A Plataforma Basta assumiu esta missão: vamos reunir vontades, ideias, provas e informações e vamos inviabilizar a tauromaquia em Portugal. Apenas por meios legais e legítimos, com elevação.

Apelamos a que todos os cidadãos e cidadãs sensíveis aos direitos dos desprotegidos, às associações culturais, científicas, ambientalistas, animalistas e estudantis para que adiram a esta nossa visão determinada e não violenta, sem qualquer filiação política ou religiosa.

Vamos divulgar os maus-tratos macabros sofridos pelos touros, novilhos, vacas, bezerros e cavalos nestes divertimentos que hoje nos envergonham como portugueses. Vamos denunciar às autoridades competentes todas as ilegalidades que pudermos testemunhar e documentar. Vamos pressionar as instituições para honrarem as suas responsabilidades no nosso Estado que queremos democrático, transparente e sério.

Queremos que o País como um todo tenha uma palavra a dizer sobre esta atividade localizada e em declínio, e que vai contra o progresso ético da nossa República. Queremos contrariar o desvio de dinheiro dos contribuintes que financia uma minoria de privilegiados. Queremos ajudar a encontrar alternativas sociais, verdadeiramente culturais, artísticas e desportivas para as populações que pouco mais têm do que os eventos tauromáquicos sazonais. Queremos proteger as crianças das práticas perigosas em que as envolvem, e da lavagem cerebral que lhes aplicam para tentar perpetuar a cultura tauromáquica.

Não esperem ver-nos aos gritos na rua, com cartazes e palavras de ordem. Já sabemos por experiência que a tauromaquia pode ser ultrapassada, mas não dessa maneira. Por isso, muita da nossa ação é desenvolvida em gabinetes, reuniões técnicas, assembleias, colóquios, sessões de esclarecimento e, naturalmente, online.

Mas tomem boa nota: não descansamos enquanto não acabarem as touradas em Portugal.

Manuel Eduardo dos Santos, biólogo e professor universitário. Junho de 2017
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